«O médico pediu-me uma OCT.» «Tenho de fazer uma topografia.» «Vão medir-me o olho.» Quem ouve estas frases pela primeira vez raramente sabe o que está para vir, e a falta de resposta transforma um exame de poucos minutos numa preocupação de uma semana.

A resposta curta é esta: são exames que, em regra, não doem, não usam radiação e não tocam no olho, feitos em poucos minutos, e que medem o que o olho não deixa ver à vista desarmada. Cada um responde a uma pergunta diferente.

OCT: a fotografia em corte da retina

A tomografia de coerência óptica, ou OCT, usa luz para fazer um corte da retina, camada por camada, com um detalhe que a observação clínica não dá. É como ver a retina de lado em vez de a ver de cima.

Para que serve. Mede a espessura da mácula e analisa a camada de fibras nervosas da retina e o nervo óptico. Ajuda a detectar o edema macular dos diabéticos, os sinais precoces da degenerescência macular da idade e as alterações do glaucoma. Quando se planeia operar a catarata, ajuda a avaliar se a mácula tem condições para aproveitar uma lente premium.

Como é. Apoia-se o queixo no aparelho e olha-se para uma luz fixa durante alguns segundos por olho. O aparelho não toca no olho. Em regra, não é preciso dilatar a pupila: só se dilata quando há motivo clínico, ou a pedido do doente.

Topografia e tomografia da córnea: o mapa da superfície

A topografia desenha a curvatura da córnea como um mapa de relevo, com cores que vão das zonas mais planas às mais curvas. É o exame que mostra o que uma graduação não mostra: se a córnea é regular. A tomografia analisa também a face posterior da córnea e a distribuição da espessura.

Para que serve. Quantifica o astigmatismo e revela o padrão do queratocone, e a tomografia apanha formas iniciais que a topografia de superfície ainda não mostra. É com estes dados, a paquimetria e a graduação que se decide se uma pessoa pode ser operada a laser. Na cirurgia de catarata, diz se há astigmatismo a corrigir com uma lente tórica e se a córnea permite uma lente multifocal.

Como é. Olha-se para um alvo luminoso, sem contacto, e o aparelho faz a captura em segundos.

Biometria: medir o olho para calcular a lente

A biometria ocular mede o comprimento do olho, a curvatura da córnea e a profundidade da câmara anterior. Com esses números, calcula-se a potência da lente intraocular a implantar.

Para que serve. É um dos exames de que depende o resultado de uma cirurgia de catarata: um erro de décimas de milímetro na medição traduz-se em graduação residual depois de operar. Por isso a biometria é feita com aparelhos de precisão e qualquer medição que levante dúvidas é verificada.

Como é. Fixa-se uma luz durante alguns segundos e o aparelho mede, em regra, sem tocar no olho. Quando a catarata é muito densa e a medição óptica falha, pode ser preciso outro método, que pode implicar contacto com o olho, sob gotas anestésicas.

Campo visual: o mapa da visão periférica

O campo visual mede o que se vê para além do ponto para onde se olha. Fixa-se o olhar num ponto central, acende-se uma sucessão de pequenas luzes na periferia, e o doente carrega num botão sempre que vê uma.

Para que serve. É um dos exames que acompanham o glaucoma, porque a perda de visão periférica costuma ser a primeira a aparecer e a última a notar-se. Serve também para estudar alterações do nervo óptico e certas doenças da retina.

Como é. Exige atenção e alguns minutos por olho. É o mais cansativo dos quatro, e é normal falhar luzes: o exame foi desenhado a contar com isso.

O que cada exame responde

ExameA pergunta a que respondeO que se fazDói?
OCTComo estão a mácula e o nervo óptico por dentro?Olhar para uma luz fixa, sem contactoEm regra, não
Topografia e tomografiaA córnea é regular? Há astigmatismo?Olhar para um alvo luminoso, sem contactoEm regra, não
BiometriaQual a potência da lente a implantar?Fixar uma luz enquanto se mede o olhoEm regra, não
Campo visualPerdeu visão na periferia?Carregar num botão quando se vê uma luzNão, mas cansa

Outros exames de que ouvirá falar

  • Tonometria, a medição da pressão intraocular: faz parte do estudo do glaucoma, mas a pressão sozinha não o diagnostica nem o exclui.
  • Paquimetria, a medição da espessura da córnea: é um dos dados que decidem a técnica na cirurgia refractiva.
  • Biomicroscopia, a observação à lâmpada de fenda: é com ela que se vê a catarata, o olho seco e a inflamação.
  • Fundo do olho, a observação da retina e do nervo óptico: a pupila só se dilata quando há motivo clínico, ou a pedido do doente, e o efeito dura cerca de quatro horas.

Como se preparar

  • Lentes de contacto. Em qualquer primeira consulta, retire-as 48 horas antes. Para os exames de uma cirurgia, quando se fazem numa segunda consulta (na cirurgia a laser), o intervalo é maior: no mínimo 7 dias as lentes moles e 14 dias as rígidas, porque uma córnea moldada pela lente falseia a topografia e a biometria.
  • Óculos e medicação. Traga os óculos que usa, todos, e a lista do que toma.
  • Acompanhante. Se houver dilatação da pupila, venha acompanhado ou evite conduzir: a visão fica turva cerca de quatro horas.

Quando um exame não se repete, e quando se repete

Um exame recente e tecnicamente adequado aproveita-se, e não se repete só porque se mudou de médico. Repete-se quando está desactualizado, incompleto, ou quando a própria doença se acompanha ao longo do tempo: o campo visual e a OCT do glaucoma, por exemplo, fazem-se a intervalos, e é a comparação entre eles que conta. Nunca se faz um exame com custo próprio sem que o paciente o saiba antes.

Perguntas frequentes

Os exames oftalmológicos doem?

Em regra, não. Os quatro exames deste artigo são feitos, em regra, sem contacto com o olho. O que se nota é a luz, que pode incomodar por instantes, e, no campo visual, o cansaço de manter a atenção. Se algum exame exigir contacto, usam-se gotas anestésicas.

Preciso de dilatar a pupila para fazer uma OCT?

Em regra, não. A pupila só se dilata quando há motivo clínico, como a suspeita de um problema da retina, ou quando o doente o pede. Quando se dilata, o efeito dura cerca de quatro horas e não deve conduzir nesse período.

Quanto tempo demora uma consulta com exames?

Uma consulta presencial completa dura habitualmente 45 a 60 minutos e inclui o exame oftalmológico completo. Os exames complementares fazem-se conforme o caso, e os de planeamento cirúrgico na própria consulta, na catarata, ou numa segunda, na cirurgia a laser. Conte com uma consulta sem pressa.

Os exames têm custo à parte?

O exame oftalmológico completo está incluído na consulta. Alguns exames complementares, como a topografia, a biometria de precisão ou a OCT, podem ter custo próprio, comunicado sempre antes de serem realizados.

Posso aproveitar exames que já fiz?

Pode. Os exames recentes e tecnicamente adequados são aproveitados e só se repete o que estiver desactualizado, incompleto ou for indispensável para responder à questão concreta. Traga os relatórios e as imagens, e não só as conclusões.

O que fazer a seguir

Se já sabe que vai ser operado, o artigo sobre o dia da cirurgia de catarata mostra onde estes exames se encaixam, e, se a dúvida for a cirurgia a laser, o artigo LASIK ou PRK explica que dados da córnea decidem a técnica. O texto sobre a primeira consulta de oftalmologia explica o que acontece desde a chegada. Para saber o que cada exame mostra no seu caso, marque uma consulta de avaliação.

Fontes e leitura adicional

Tem dúvidas sobre o seu caso?

Este artigo é informativo e não substitui uma avaliação clínica. Marque uma consulta com o Dr. André Magalhães Oliveira e discuta o seu caso concreto, com exames e com tempo.

Marcar consulta

A informação deste artigo tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. O diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial.