Desfoque a todas as distâncias
Ao contrário da miopia e da hipermetropia, não há uma distância onde se veja bem. A imagem está sempre ligeiramente distorcida.
No astigmatismo a córnea não é perfeitamente esférica, e a luz que entra no olho é focada em vários pontos em vez de um só. O resultado é uma visão desfocada ou distorcida — ao perto e ao longe.
O astigmatismo raramente aparece isolado: na maioria dos casos acompanha uma miopia ou uma hipermetropia. É também o erro refractivo mais frequentemente subcorrigido, e aquele cuja correcção traz maior ganho subjectivo de qualidade de visão.
Uma questão de geometria
Uma córnea sem astigmatismo tem a curvatura de uma bola de futebol: igual em todas as direcções. Numa córnea astigmática a curvatura assemelha-se à de uma bola de râguebi — mais acentuada num eixo do que no perpendicular.
Como cada eixo refracta a luz com força diferente, formam-se dois pontos de foco distintos. Nenhum deles cai exactamente sobre a retina, e a imagem resultante é alongada ou esbatida em vez de nítida.
Valores até 0,75 dioptrias são frequentemente assintomáticos. Acima disso a correcção costuma traduzir-se num ganho de nitidez imediatamente perceptível.
Como se manifesta
Ao contrário da miopia e da hipermetropia, não há uma distância onde se veja bem. A imagem está sempre ligeiramente distorcida.
Contornos que parecem duplicados ou esticados numa direcção. Confundir letras semelhantes é comum.
Em condução nocturna, os focos de luz surgem com rasto ou estrelamento em torno da fonte luminosa.
A tentativa contínua de compensar produz fadiga ocular, cefaleias e necessidade de apertar os olhos.
Mapear a córnea
O astigmatismo mede-se em duas grandezas: a magnitude, em dioptrias, e o eixo, em graus. Corrigir um sem o outro não resolve o problema — daí a importância do rigor na medição.
Detectar um queratocone subclínico antes de operar é uma das razões pelas quais a avaliação pré-operatória não se resume a medir dioptrias.
Opções de correcção
Compensam o eixo em défice. Exigem posicionamento correcto da armação para manter o alinhamento.
Lentes com estabilização rotacional que mantêm o eixo alinhado. Alternativa eficaz em astigmatismos regulares.
Regulariza a curvatura da córnea, igualando os dois eixos. É o tratamento de eleição no astigmatismo regular com córnea saudável.
Quando existe também catarata, a lente tórica corrige ambas as condições numa só cirurgia, com alinhamento planeado ao grau.
Perguntas frequentes sobre astigmatismo
Sim. O astigmatismo regular corrige-se com laser, remodelando a córnea para uniformizar a curvatura. Quando está associado a catarata, a alternativa é uma lente intraocular tórica, que resolve as duas situações no mesmo procedimento.
Na maioria das pessoas mantém-se estável ao longo da vida adulta. Aumentos significativos ou rápidos merecem investigação, porque podem indicar queratocone — uma condição em que a córnea afina e se deforma progressivamente, e cujo tratamento é diferente.
Sim, e é a situação mais comum. Chama-se astigmatismo míope composto. A cirurgia refractiva corrige ambos no mesmo tratamento, com um perfil de ablação personalizado a partir da sua topografia.
Não. Nem ler ao escuro, nem ver televisão de perto, nem usar o telemóvel na cama alteram a curvatura da córnea. Estas actividades podem causar fadiga visual, o que torna os sintomas mais notórios, mas não modificam o astigmatismo em si.
Referências e leitura complementar
A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.
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