Quase toda a gente que vai operar a catarata tem a mesma dúvida, e raramente a diz em voz alta: o que é que vai acontecer, exactamente? Não é medo da cirurgia em si. É medo de não saber.
A resposta curta é esta. A cirurgia de catarata faz-se em ambulatório, com anestesia por gotas, e a operação em si dura cerca de quinze minutos por olho. Chega, é operado e regressa a casa no mesmo dia. O resto deste artigo é o que fica por dizer entre «chega» e «regressa».
Antes do dia: o que fica combinado
A cirurgia não começa no bloco. Começa nos exames de planeamento, que na catarata se fazem normalmente na própria consulta de avaliação: a biometria, a topografia e, quando é preciso, a OCT da mácula, que o artigo sobre os exames oftalmológicos explica um a um. É aí que se escolhe a lente e se acerta tudo o que vai ser pedido no dia.
- Lentes de contacto. Se as usa, retire-as 48 horas antes de qualquer primeira consulta. Se os exames se fizerem numa segunda consulta, o intervalo para ela é maior: no mínimo 7 dias as moles e 14 dias as rígidas. Uma córnea ainda moldada pela lente falseia a medição de que depende a lente intraocular.
- Jejum. Nas nossas unidades pede-se um mínimo de 6 horas, porque há sempre um anestesista presente no bloco. A hora exacta vem por escrito.
- Medicação. Leve a lista completa do que toma. Se for preciso alterar alguma medicação, isso é-lhe dito na consulta, e em caso de dúvida contacte a clínica antes de suspender o que quer que seja.
- Acompanhante. Venha acompanhado e planeie o regresso a casa. No resto do dia a visão do olho operado fica turva, e não deve conduzir.
À chegada: a preparação do olho
Confirma-se qual é o olho a operar, e aplicam-se as gotas: umas anestésicas, que tiram a sensibilidade ao olho, e outras dilatadoras, para que a pupila abra o suficiente para o cirurgião trabalhar. A pele à volta do olho e as pálpebras são limpas, e o olho fica isolado do resto da cara por um campo estéril.
Fica deitado, acordado e confortável. Não há anestesia geral, e há sempre um anestesista presente no bloco durante a cirurgia, para responder de imediato a qualquer eventualidade.
A operação, em quatro tempos
- Microincisão. Uma abertura de cerca de 2 mm na córnea, tão pequena que costuma fechar sozinha, sem pontos.
- Facoemulsificação. Uma ponta de ultrassons fragmenta o cristalino turvo. É hoje a técnica mais usada, e a cirurgia de catarata é uma das mais seguras e mais realizadas da medicina.
- Aspiração. Os fragmentos são aspirados e fica apenas a cápsula do cristalino, o «saco» natural que vai alojar a lente nova.
- Implante da lente intraocular. A lente entra dobrada pela mesma incisão e desdobra-se sozinha dentro do saco, na posição certa.
Tudo isto dura cerca de quinze minutos. Parece pouco, e é: o que leva tempo é o planeamento, e é por isso que a lente se calcula antes e não durante.
O que se sente durante a cirurgia
Em regra, não dói. As gotas anestesiam o olho, e o que a maioria das pessoas descreve é uma pressão suave e luzes e cores em movimento, que se toleram bem. Fica acordado, e pede-se-lhe que olhe para a luz do microscópio e mantenha a cabeça quieta.
Respire com normalidade. Se precisar de tossir, espirrar ou mexer-se, avise antes: é melhor pedir uma pausa do que mexer-se sem aviso. Algum desconforto passageiro é possível, e se acontecer diga-o à equipa.
Como qualquer cirurgia, a da catarata tem riscos, que se discutem na consulta antes de se decidir. Este artigo descreve o dia, e não substitui essa conversa.
Depois: a alta e o resto do dia
Terminada a cirurgia, fica em observação breve, com um protector no olho e a medicação prescrita. Regressa a casa acompanhado. É normal a visão estar turva no resto do dia, e o olho ter uma sensação de areia durante um ou dois dias, que cede com as gotas.
No dia seguinte há consulta de revisão, e é nela que se vê como o olho está a recuperar. O que se espera em cada dia e em cada semana, e os sinais que justificam um contacto imediato, estão no artigo sobre a recuperação da cirurgia de catarata, dia a dia.
E o segundo olho?
Habitualmente opera-se um olho de cada vez, com uma a duas semanas de intervalo. Assim vê-se como o primeiro olho evolui antes de avançar, e o cálculo da lente do segundo pode ser ajustado com o que o primeiro ensinou. Em situações específicas, os dois olhos no mesmo dia podem ser ponderados, caso a caso.
Quando a cirurgia se adia
Também faz parte de uma cirurgia séria haver dias em que não se opera. Adia-se quando existe uma infecção ocular activa, uma inflamação dentro do olho por controlar, uma superfície ocular instável, como no olho seco severo, ou uma descompensação aguda da saúde geral. Se na véspera ou na manhã da cirurgia tiver febre, uma constipação forte ou o olho vermelho e com secreção, contacte a clínica antes de se deslocar.
Na maioria dos casos, nenhuma destas situações é definitiva. Trata-se primeiro e opera-se depois. A página da cirurgia de catarata explica cada uma, e também as situações em que a indicação cirúrgica se discute com mais cuidado.
Perguntas frequentes
A cirurgia de catarata dói?
Em regra, não. As gotas anestesiam o olho e o que se sente é sobretudo pressão, luzes e cores em movimento. Algum desconforto passageiro é possível e, se acontecer, diga-o à equipa. Depois, é comum uma sensação de areia no olho durante um ou dois dias, que cede com a medicação.
Quanto tempo dura a cirurgia de catarata?
A operação dura cerca de quinze minutos por olho. O tempo total na unidade, com a preparação, a cirurgia e a observação, é maior, e o horário é-lhe dado por escrito.
Preciso de estar em jejum?
Sim. Nas nossas unidades são necessárias, no mínimo, 6 horas de jejum, porque há sempre um anestesista presente no bloco. A hora exacta é indicada por escrito na consulta pré-operatória.
Posso ir sozinho para casa?
Não. Venha acompanhado e planeie o regresso: a visão do olho operado fica turva durante algumas horas e não deve conduzir nesse dia. A autorização para voltar a conduzir é clínica, dá-se numa consulta de revisão e não por um calendário fixo.
Vou ver bem logo a seguir?
Muitas pessoas notam melhoria no dia seguinte, ainda que a visão possa estar enevoada. A estabilização completa leva semanas, e só então se prescrevem óculos, se forem necessários.
E se me mexer ou tossir durante a operação?
Avise antes. Se precisar de tossir, espirrar ou mexer-se, diga-o antes de acontecer: é melhor pedir uma pausa do que mexer-se sem aviso. Durante a operação pede-se-lhe que mantenha a cabeça quieta e olhe para a luz do microscópio.
Quem faz a cirurgia?
É o Dr. André Magalhães Oliveira quem avalia o seu olho, faz a cirurgia e acompanha a recuperação nas consultas de revisão. A mesma pessoa acompanha o caso do princípio ao fim, e não há transferência entre profissionais.
O que fazer a seguir
Se está a decidir a lente, o simulador de lentes intraoculares ajuda a chegar à consulta com perguntas melhores, e o artigo sobre lentes premium ou standard compara as opções sem retórica. Para saber se já é o momento, veja quando operar a catarata.
O passo seguinte é uma consulta de avaliação, onde se confirma o diagnóstico e se explica o plano para o seu olho. Se usa lentes de contacto, retire-as 48 horas antes. Se já tem indicação cirúrgica dada por outro médico, a segunda opinião existe para a confirmar.
Fontes e leitura adicional
- American Academy of Ophthalmology, Cataract Surgery: Risks, Recovery, Costs
- NHS, Cataract surgery
Tem dúvidas sobre o seu caso?
Este artigo é informativo e não substitui uma avaliação clínica. Marque uma consulta com o Dr. André Magalhães Oliveira e discuta o seu caso concreto, com exames e com tempo.
Marcar consultaA informação deste artigo tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. O diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial.




