Visão central turva
Sugere edema macular. As linhas rectas podem parecer onduladas e as cores menos vivas.
A diabetes lesa os pequenos vasos da retina ao longo dos anos. A visão mantém-se normal durante muito tempo — e quando baixa, a lesão já vem de longe.
É a principal causa de perda de visão em idade activa nos países desenvolvidos, e é também das mais evitáveis. Tudo assenta numa ideia simples e mal compreendida: o rastreio faz-se com a visão boa. Esperar por sintomas é esperar pela fase em que o tratamento já não devolve o que se perdeu, apenas trava o que resta.
O que a glicose faz aos vasos da retina
A glicose elevada de forma persistente danifica a parede dos capilares da retina. Eles tornam-se permeáveis e deixam extravasar líquido e sangue; outros obstruem-se e deixam zonas da retina sem irrigação.
A retina responde a essa falta de oxigénio produzindo novos vasos. É uma resposta bem intencionada e desastrosa: os vasos novos são frágeis, sangram para dentro do vítreo e formam membranas que traccionam a retina.
A evolução faz-se por fases:
Com que frequência observar o fundo do olho
O calendário depende do tipo de diabetes e dos achados anteriores. As recomendações internacionais convergem no essencial:
O exame faz-se com a pupila dilatada e complementa-se, quando indicado, com OCT macular — que detecta edema antes de a visão baixar — e com angiografia, para mapear as zonas sem irrigação.
Quando o olho começa a avisar
Sugere edema macular. As linhas rectas podem parecer onduladas e as cores menos vivas.
Um aumento brusco de pontos escuros pode significar hemorragia dos vasos novos para dentro do vítreo.
Uma área escura fixa no campo de visão exige observação urgente — pode ser descolamento de retina.
Oscilações da glicemia alteram temporariamente a graduação. Não é retinopatia, mas é sinal de mau controlo metabólico.
A perda de detalhe ao perto é frequentemente a primeira queixa do edema macular.
O cenário mais comum, e o mais perigoso. A retinopatia avançada é compatível com visão de 10/10.
O que se faz em cada fase
A base de tudo, e o que mais influencia o prognóstico a longo prazo. Glicemia, tensão arterial e colesterol controlados travam a progressão mais do que qualquer tratamento oftalmológico isolado. Faz-se em articulação com o médico assistente.
O tratamento de referência para o edema macular diabético. Bloqueiam o factor que torna os vasos permeáveis, reduzem o edema e recuperam visão numa proporção importante dos casos. Exigem um esquema repetido de administrações.
Sela pontos de fuga específicos junto à mácula, em casos seleccionados.
Laser argon aplicado à periferia da retina na forma proliferativa. Elimina as zonas sem irrigação e faz regredir os vasos novos, prevenindo a hemorragia e o descolamento traccional.
Cirurgia reservada à hemorragia vítrea que não reabsorve e ao descolamento traccional instalado.
Perguntas frequentes sobre retinopatia diabética
Precisa, e é a mensagem mais importante desta página. A retinopatia diabética pode estar em fase avançada com visão de 10/10 — a retina periférica pode estar extensamente lesada sem que a visão central seja afectada. Quando a visão baixa, o dano já é significativo e frequentemente irreversível. O rastreio faz-se por calendário, não por sintomas.
Reduz muito o risco e atrasa muito a progressão, mas não a elimina por completo. O controlo da glicemia, da tensão arterial e do colesterol é o factor mais determinante do prognóstico a longo prazo, e vale sempre a pena — mesmo depois de a retinopatia já existir, porque continua a influenciar a velocidade a que evolui. O que não faz é dispensar a vigilância anual.
Menos do que a ideia sugere. Aplica-se anestesia tópica e um antisséptico, e o procedimento em si dura segundos. A maioria dos pacientes descreve uma sensação de pressão em vez de dor. Nas horas seguintes é comum sentir alguma irritação e ver uma pequena mancha de sangue no branco do olho, que desaparece sozinha. Ver injecções intravítreas.
Pode, e é frequente — a catarata surge mais cedo nos diabéticos. Exige, isso sim, avaliação cuidadosa da retina antes e depois. A cirurgia pode agravar um edema macular preexistente, por isso trata-se o edema primeiro sempre que possível. Se existir retinopatia, o plano é articulado em conformidade e o acompanhamento pós-operatório é mais apertado.
Não se cura, mas controla-se com eficácia. As lesões estabelecidas não desaparecem; o que os tratamentos actuais fazem — e fazem bem — é travar a progressão e, no caso do edema macular, recuperar parte da visão perdida. Com rastreio regular e tratamento atempado, a esmagadora maioria dos pacientes diabéticos mantém visão útil ao longo da vida.
Referências e leitura complementar
A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.
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