11 · Problemas de Visão

Retinopatia Diabética

A diabetes lesa os pequenos vasos da retina ao longo dos anos. A visão mantém-se normal durante muito tempo — e quando baixa, a lesão já vem de longe.

É a principal causa de perda de visão em idade activa nos países desenvolvidos, e é também das mais evitáveis. Tudo assenta numa ideia simples e mal compreendida: o rastreio faz-se com a visão boa. Esperar por sintomas é esperar pela fase em que o tratamento já não devolve o que se perdeu, apenas trava o que resta.

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O que a glicose faz aos vasos da retina

A glicose elevada de forma persistente danifica a parede dos capilares da retina. Eles tornam-se permeáveis e deixam extravasar líquido e sangue; outros obstruem-se e deixam zonas da retina sem irrigação.

A retina responde a essa falta de oxigénio produzindo novos vasos. É uma resposta bem intencionada e desastrosa: os vasos novos são frágeis, sangram para dentro do vítreo e formam membranas que traccionam a retina.

A evolução faz-se por fases:

  • Retinopatia não proliferativa — microaneurismas, hemorragias e exsudados. A visão costuma manter-se normal.
  • Retinopatia proliferativa — surgem os vasos novos. Risco elevado de hemorragia vítrea e de descolamento de retina traccional.
  • Edema macular diabético — acumulação de líquido na mácula, a zona da visão central. Pode surgir em qualquer fase e é a causa mais frequente de perda de visão nestes pacientes.
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Com que frequência observar o fundo do olho

O calendário depende do tipo de diabetes e dos achados anteriores. As recomendações internacionais convergem no essencial:

  • Diabetes tipo 2 — observação do fundo ocular no momento do diagnóstico. Como a doença evolui anos sem ser detectada, uma parte dos pacientes já tem retinopatia quando descobre que é diabético.
  • Diabetes tipo 1 — a partir de cinco anos após o diagnóstico, e anualmente depois disso.
  • Sem retinopatia — reavaliação anual.
  • Com retinopatia — intervalos mais curtos, definidos caso a caso conforme a gravidade.
  • Gravidez — avaliação no primeiro trimestre e vigilância apertada, porque a gravidez pode acelerar significativamente a progressão.

O exame faz-se com a pupila dilatada e complementa-se, quando indicado, com OCT macular — que detecta edema antes de a visão baixar — e com angiografia, para mapear as zonas sem irrigação.

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Quando o olho começa a avisar

Visão central turva

Sugere edema macular. As linhas rectas podem parecer onduladas e as cores menos vivas.

Moscas volantes súbitas

Um aumento brusco de pontos escuros pode significar hemorragia dos vasos novos para dentro do vítreo.

Sombra ou cortina

Uma área escura fixa no campo de visão exige observação urgente — pode ser descolamento de retina.

Visão que flutua

Oscilações da glicemia alteram temporariamente a graduação. Não é retinopatia, mas é sinal de mau controlo metabólico.

Dificuldade a ler

A perda de detalhe ao perto é frequentemente a primeira queixa do edema macular.

Nenhum sintoma

O cenário mais comum, e o mais perigoso. A retinopatia avançada é compatível com visão de 10/10.

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O que se faz em cada fase

Controlo metabólico

A base de tudo, e o que mais influencia o prognóstico a longo prazo. Glicemia, tensão arterial e colesterol controlados travam a progressão mais do que qualquer tratamento oftalmológico isolado. Faz-se em articulação com o médico assistente.

Injecções intravítreas anti-VEGF

O tratamento de referência para o edema macular diabético. Bloqueiam o factor que torna os vasos permeáveis, reduzem o edema e recuperam visão numa proporção importante dos casos. Exigem um esquema repetido de administrações.

Laser focal

Sela pontos de fuga específicos junto à mácula, em casos seleccionados.

Fotocoagulação panretiniana

Laser argon aplicado à periferia da retina na forma proliferativa. Elimina as zonas sem irrigação e faz regredir os vasos novos, prevenindo a hemorragia e o descolamento traccional.

Vitrectomia

Cirurgia reservada à hemorragia vítrea que não reabsorve e ao descolamento traccional instalado.

Perguntas frequentes sobre retinopatia diabética

Vejo bem. Preciso mesmo de ir ao oftalmologista?

Precisa, e é a mensagem mais importante desta página. A retinopatia diabética pode estar em fase avançada com visão de 10/10 — a retina periférica pode estar extensamente lesada sem que a visão central seja afectada. Quando a visão baixa, o dano já é significativo e frequentemente irreversível. O rastreio faz-se por calendário, não por sintomas.

Se controlar bem a diabetes, evito a retinopatia?

Reduz muito o risco e atrasa muito a progressão, mas não a elimina por completo. O controlo da glicemia, da tensão arterial e do colesterol é o factor mais determinante do prognóstico a longo prazo, e vale sempre a pena — mesmo depois de a retinopatia já existir, porque continua a influenciar a velocidade a que evolui. O que não faz é dispensar a vigilância anual.

As injecções no olho doem?

Menos do que a ideia sugere. Aplica-se anestesia tópica e um antisséptico, e o procedimento em si dura segundos. A maioria dos pacientes descreve uma sensação de pressão em vez de dor. Nas horas seguintes é comum sentir alguma irritação e ver uma pequena mancha de sangue no branco do olho, que desaparece sozinha. Ver injecções intravítreas.

Posso operar a catarata sendo diabético?

Pode, e é frequente — a catarata surge mais cedo nos diabéticos. Exige, isso sim, avaliação cuidadosa da retina antes e depois. A cirurgia pode agravar um edema macular preexistente, por isso trata-se o edema primeiro sempre que possível. Se existir retinopatia, o plano é articulado em conformidade e o acompanhamento pós-operatório é mais apertado.

A retinopatia diabética tem cura?

Não se cura, mas controla-se com eficácia. As lesões estabelecidas não desaparecem; o que os tratamentos actuais fazem — e fazem bem — é travar a progressão e, no caso do edema macular, recuperar parte da visão perdida. Com rastreio regular e tratamento atempado, a esmagadora maioria dos pacientes diabéticos mantém visão útil ao longo da vida.

Referências e leitura complementar

A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.

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