Idade acima dos 40
A prevalência sobe de forma marcada a partir desta idade e continua a subir em cada década seguinte.
O glaucoma é uma lesão progressiva do nervo óptico, habitualmente associada a pressão elevada dentro do olho. Não dói, não embacia a visão ao início e destrói o campo visual em silêncio.
É a principal causa de cegueira irreversível no mundo, e metade das pessoas que o têm não sabe. A razão está na própria natureza da doença: começa pela visão periférica, que o cérebro preenche sem que se dê por isso, e só chega à visão central quando o dano já é extenso. O que se perde no glaucoma não se recupera — mas o que ainda não se perdeu pode ser preservado praticamente para sempre, se for detectado a tempo.
Uma lesão lenta do nervo óptico
O olho produz continuamente um líquido, o humor aquoso, que o nutre e mantém a sua forma. Esse líquido tem de sair a um ritmo equivalente ao da produção. Quando a drenagem falha, a pressão sobe e comprime as fibras do nervo óptico, que morrem progressivamente.
As fibras destruídas não se regeneram. Cada uma corresponde a uma pequena zona do campo visual, e a sua perda cria uma falha permanente.
Há dois grandes tipos, com comportamentos opostos:
Existe ainda o glaucoma de pressão normal, em que a lesão progride com pressões dentro dos valores habituais — prova de que a pressão é um factor de risco importante, mas não o único.
Quem deve ser rastreado
A prevalência sobe de forma marcada a partir desta idade e continua a subir em cada década seguinte.
Ter um familiar directo com glaucoma multiplica o risco várias vezes. É o factor de risco mais subvalorizado de todos.
O principal factor modificável, e o único sobre o qual todo o tratamento actua.
O nervo óptico do olho míope é mais vulnerável. Ver miopia e retinopatia miópica.
Em colírio, inalados ou orais. Podem elevar a pressão intraocular de forma significativa e silenciosa.
Comprometem a irrigação do nervo óptico e aumentam a sua vulnerabilidade à pressão.
O que a consulta avalia
Medir a pressão não chega para diagnosticar nem para excluir glaucoma — é o erro mais comum. Um olho pode ter pressão normal e glaucoma em progressão, ou pressão elevada sem qualquer lesão. O diagnóstico assenta em várias avaliações combinadas:
Nenhum destes exames é doloroso e todos se fazem em consulta.
Travar o que ainda se pode travar
A primeira linha na maioria dos casos. Reduzem a produção de humor aquoso ou facilitam a sua saída. Exigem aplicação diária e sem falhas — é aqui que a maioria dos tratamentos falha, porque a doença não dá sintomas e a adesão relaxa.
Um laser aplicado à malha de drenagem, que melhora o escoamento. Indolor, feito em consulta, e cada vez mais usado como primeira linha em alternativa aos colírios.
No ângulo estreito ou fechado, cria uma pequena abertura na íris que restabelece a circulação do líquido. É preventiva de crises agudas e resolutiva na crise instalada.
Quando a pressão não é controlável por colírios ou laser, cria-se cirurgicamente uma via alternativa de drenagem.
O glaucoma acompanha-se para toda a vida, com OCT e campos visuais repetidos. O objectivo não é a cura: é documentar que a doença deixou de progredir.
Perguntas frequentes sobre glaucoma
Precisamente por isso. O glaucoma de ângulo aberto — que são mais de nove em cada dez casos — não provoca dor, não embacia a visão e não dá qualquer aviso enquanto o dano se acumula. Começa pela periferia do campo visual, e o cérebro compensa essa falha de tal forma que a pessoa não dá por nada. Quando os sintomas aparecem, já se perdeu uma parte importante e irreversível do nervo. Um rastreio a partir dos 40 anos, ou mais cedo havendo história familiar, é o que permite apanhá-lo a tempo.
Não. As fibras do nervo óptico destruídas não se regeneram, e nenhum tratamento actual as recupera. É uma verdade dura, e é a razão pela qual insistimos tanto no diagnóstico precoce. O que o tratamento faz — e faz bem — é travar a progressão: a maioria dos pacientes diagnosticados e tratados a tempo mantém visão útil durante toda a vida.
Deve fazer rastreio, e mais cedo do que a população em geral. Ter um familiar directo com glaucoma multiplica o risco várias vezes, e é o factor de risco que os pacientes mais desvalorizam. Recomenda-se avaliação a partir dos 35 a 40 anos, com repetição periódica conforme os achados. Vale a pena avisar também os irmãos.
Chama-se hipertensão ocular: pressão acima do habitual sem lesão detectável do nervo óptico nem alteração do campo visual. Nem todas as pessoas com pressão elevada desenvolvem glaucoma, e a decisão de tratar pesa a pressão, a espessura da córnea, o aspecto do nervo e os restantes factores de risco. O que é sempre necessário é vigilância regular, porque o risco de conversão existe.
Pode, e frequentemente é benéfico. A cirurgia de catarata tende a reduzir ligeiramente a pressão intraocular, sobretudo nos olhos com ângulo estreito, onde a remoção do cristalino abre o espaço de drenagem. O planeamento tem de ser articulado com o tratamento do glaucoma, e as lentes multifocais são habitualmente desaconselhadas quando existe perda de campo visual — a qualidade de visão que oferecem depende de um nervo óptico saudável.
Referências e leitura complementar
A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.
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