Cortina ou sombra escura
O sintoma decisivo. Uma área escura que não se move com o olhar e que avança progressivamente pelo campo de visão. Habitualmente começa pela periferia.
O descolamento de retina é uma urgência oftalmológica. A retina separa-se da parede do olho, deixa de receber irrigação e as células começam a morrer. Sem cirurgia, a perda de visão é definitiva.
É uma das poucas situações em oftalmologia em que a contagem se faz em horas e dias, não em semanas. O factor que mais determina o resultado final é se a mácula — o centro da visão — já foi atingida no momento da cirurgia. Operar antes disso permite habitualmente preservar boa visão; operar depois recupera o olho, mas raramente devolve o detalhe por inteiro.
A retina separa-se da parede do olho
A retina não está colada à parede do olho: assenta sobre ela e mantém-se no lugar por bombeamento activo de líquido. Quando se abre uma rotura, o líquido do vítreo passa para trás e vai descolando a retina progressivamente, como papel de parede a soltar-se.
A retina descolada perde o contacto com a camada que a nutre. Sem oxigénio, as células fotorreceptoras começam a degenerar — e essa degeneração é irreversível a partir de determinado tempo.
Há três mecanismos:
Reconhecer a tempo
O sintoma decisivo. Uma área escura que não se move com o olhar e que avança progressivamente pelo campo de visão. Habitualmente começa pela periferia.
Precedem frequentemente o descolamento, sinal da tracção que provocou a rotura. Notam-se mais no escuro.
Aumento súbito e numeroso de pontos escuros, que pode indicar rotura de um vaso.
Deixar de ver de lado, num sector concreto, mantendo a visão central. É a fase em que a cirurgia dá melhores resultados.
Indica que a mácula já foi atingida. A cirurgia continua indicada, mas o prognóstico visual piora.
O descolamento não dói. A falta de dor engana e atrasa muitos diagnósticos — não é critério de tranquilidade.
Porque é que as horas contam
A retina tem uma zona central minúscula, a mácula, responsável por toda a visão de detalhe. O prognóstico divide-se em dois cenários conforme ela esteja ou não descolada no momento da cirurgia:
Daqui decorre a mensagem prática desta página: perante uma sombra fixa no campo de visão, não se espera para ver se melhora. Procura-se observação oftalmológica no próprio dia.
As técnicas cirúrgicas
A técnica mais usada actualmente. Remove-se o vítreo, drena-se o líquido acumulado sob a retina, sela-se a rotura com laser e preenche-se o olho com gás ou óleo de silicone para manter a retina aplicada durante a cicatrização.
Quando se usa gás, é necessário manter a cabeça numa posição definida durante vários dias, para que a bolha pressione a área tratada. É exigente, e é decisivo para o sucesso.
Coloca-se uma banda de silicone à volta do olho, por fora, que aproxima a parede da retina e alivia a tracção. Usada isoladamente ou combinada com vitrectomia, sobretudo em pacientes mais jovens.
Injecta-se uma bolha de gás no vítreo que empurra a retina contra a parede, complementada com laser ou criopexia. Reservada a descolamentos pequenos e de localização favorável.
A visão recupera ao longo de semanas a meses e o resultado final depende sobretudo do estado da mácula antes da cirurgia. Com gás, a visão mantém-se muito turva enquanto a bolha não reabsorve, e não se pode voar de avião nesse período.
Perguntas frequentes sobre descolamento de retina
Não. Uma sombra fixa que avança pelo campo de visão deve ser observada no próprio dia. A razão é concreta: enquanto a mácula não descolar, a probabilidade de preservar boa visão é elevada; depois de descolar, o resultado piora de forma significativa e não é recuperável. Como não é possível prever a que velocidade o descolamento avança, trata-se sempre como urgência.
Depende quase inteiramente de um factor: se a mácula estava ou não descolada quando se operou. Com a mácula ainda aplicada, a maioria dos pacientes recupera visão próxima da anterior. Com a mácula já descolada, a retina reaplica-se com elevada taxa de sucesso anatómico, mas a visão central fica habitualmente aquém — com alguma distorção ou perda de detalhe permanentes.
Pode, em duas frentes. No olho operado existe risco de recidiva, sobretudo nos primeiros meses, e por isso o acompanhamento é apertado. E o outro olho tem risco aumentado face à população em geral, o que justifica examiná-lo e vigiá-lo mesmo estando assintomático — muitas vezes encontram-se aí lesões que se tratam preventivamente a laser.
Porque o olho ficou preenchido com uma bolha de gás. Com a redução da pressão atmosférica em altitude, o gás expande e a pressão intraocular sobe a valores perigosos, capazes de comprometer a irrigação do nervo óptico. A restrição mantém-se enquanto houver gás no olho — habitualmente algumas semanas — e é confirmada em consulta antes de qualquer viagem aérea.
A prevenção eficaz consiste em tratar as roturas antes de descolarem. Isso implica duas coisas: conhecer os sintomas de alarme — flashes, chuva de moscas volantes, sombra periférica — e procurar observação perante eles; e, nos grupos de risco, sobretudo míopes elevados, fazer exame periódico do fundo ocular com dilatação, que encontra lesões assintomáticas e permite selá-las a laser em consulta.
Referências e leitura complementar
A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.
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