Miopia elevada
O olho mais comprido tem retina mais distendida e fina. É o factor de risco isolado mais importante.
Uma rotura da retina é um rasgão numa membrana com a espessura de uma folha de papel. Selada a tempo com laser, não tem consequências. Deixada a evoluir, deixa passar líquido e descola a retina.
Esta é uma das situações em que a oftalmologia tem uma intervenção simples, rápida e decisiva. Um procedimento de consulta, com anestesia em gotas e alguns minutos de duração, substitui uma cirurgia intraocular complexa com recuperação de semanas. A diferença entre os dois cenários é, quase sempre, o tempo que passou entre o primeiro sintoma e a observação.
Rasgões, buracos e o que os distingue
A retina é a membrana sensível que reveste o interior do olho e converte a luz em impulsos nervosos. Tem cerca de um quarto de milímetro de espessura e assenta sobre a parede do olho sem estar colada a ela — mantém-se no lugar por pressão e por bombeamento activo de líquido.
Quando se abre uma solução de continuidade, o líquido do vítreo passa para trás e vai levantando a retina. Há duas formas principais:
Existe ainda a degenerescência em treliça, uma zona de retina adelgaçada que predispõe a roturas e que se encontra com frequência em míopes. Nem toda exige tratamento — muitas apenas vigilância.
Quando um vaso é atingido pelo rasgão, o sangue entra no vítreo: é a hemorragia vítrea, que se manifesta como uma chuva súbita de pontos escuros ou como uma névoa vermelha que baixa a visão.
Quem tem maior probabilidade
O olho mais comprido tem retina mais distendida e fina. É o factor de risco isolado mais importante.
Cerca de uma em cada dez separações do vítreo provoca uma rotura. Daí a observação obrigatória perante sintomas novos.
A cirurgia de catarata altera a dinâmica do vítreo e aumenta ligeiramente o risco nos anos seguintes.
Uma pancada no olho pode provocar rotura imediata ou tardia. Justifica observação mesmo sem sintomas.
Quem teve rotura ou descolamento num olho tem risco aumentado no outro, que deve ser examinado.
Zonas de retina adelgaçada, habitualmente periféricas, encontradas em exame de rotina.
O que o olho avisa
Uma rotura pode ser completamente assintomática — várias são descobertas em exames de rotina, sobretudo os buracos atróficos em míopes. Quando dá sintomas, são estes:
O ponto essencial repete-se: estes sintomas são indistinguíveis dos de um descolamento do vítreo benigno. Só o exame do fundo ocular com pupila dilatada os separa.
Selar antes que descole
O tratamento de eleição. Aplicam-se pontos de laser em coroa à volta da rotura, criando uma cicatriz que cola a retina à parede do olho e impede a passagem de líquido. Faz-se em consulta, com anestesia tópica, em poucos minutos.
Congelação aplicada por fora do olho, alternativa ao laser quando a rotura é muito periférica ou quando o meio está turvo e não permite focar o laser.
A aderência criada pelo laser leva cerca de duas semanas a atingir resistência plena. Nesse período evitam-se esforços intensos e desportos de impacto.
Quem teve rotura num olho tem risco aumentado no outro. Examina-se sempre a periferia dos dois.
Nem toda a lesão encontrada exige laser. Buracos atróficos estáveis e degenerescência em treliça sem tracção acompanham-se, evitando tratar o que não precisa.
Se o líquido já levantou a retina, o laser não é suficiente e é necessária cirurgia — ver descolamento de retina.
Perguntas frequentes sobre roturas e buracos da retina
É desconfortável, mas breve. Aplica-se anestesia em gotas e coloca-se uma lente de contacto sobre o olho para focar o laser. Sentem-se picadas e vê-se uma luz intensa durante os poucos minutos que dura. Alguns pacientes referem uma dor de cabeça ligeira nas horas seguintes. Regressa a casa a seguir, embora deva ir acompanhado por causa da dilatação da pupila.
A rotura tratada fica selada e deixa de representar risco. O que o laser não faz é impedir que surjam novas roturas noutro ponto da retina, sobretudo enquanto a separação do vítreo está em curso. Por isso mantém-se vigilância nos meses seguintes, e por isso qualquer sintoma novo deve ser reavaliado mesmo depois do tratamento.
Uma rotura sintomática com tracção deve ser tratada em dias, não em semanas. A velocidade a que o líquido passa e descola a retina é imprevisível: há roturas que permanecem estáveis durante anos e outras que descolam a retina em quarenta e oito horas. Como não é possível saber antecipadamente qual é qual, trata-se cedo.
Actividade ligeira, sim, quase de imediato. Esforços intensos, levantamento de pesos e desportos de impacto ou de contacto devem esperar cerca de duas semanas, que é o tempo necessário para a cicatriz do laser atingir resistência plena. As indicações concretas são dadas no fim do procedimento, conforme a localização e a extensão da rotura.
Sim, e é uma recomendação que se justifica sozinha. Na miopia elevada a retina periférica é mais fina e mais susceptível a roturas, e muitas dessas lesões são assintomáticas — encontram-se em exame de rotina e tratam-se antes de darem qualquer problema. Um exame do fundo ocular com dilatação, com a periodicidade indicada em consulta, é a medida preventiva mais eficaz de que dispomos.
Referências e leitura complementar
A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.
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