09 · Cirurgias

Cirurgia de Calázio

Quando um calázio persiste apesar de semanas de calor e higiene bem feitos, drena-se. É um procedimento de consulta, com anestesia local, que não deixa cicatriz visível.

A maioria dos calázios resolve-se sem qualquer intervenção — e é por isso que a cirurgia não é o primeiro passo, mas o último. Quando o nódulo permanece para lá do tempo razoável, ou quando incomoda de forma significativa, a drenagem resolve-o de forma rápida e definitiva. O procedimento faz-se pela face interna da pálpebra, o que explica a ausência de marca externa.

Duração do procedimento 10 a 15 minutos
Acesso pela face interna da pálpebra Sem cicatriz visível
Feito em consulta, sem bloco operatório Anestesia local
O conteúdo é removido no próprio acto Resolução imediata
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Quando drenar e quando esperar

Antes de considerar a drenagem, o tratamento conservador tem de ter sido cumprido de forma correcta: compressas quentes durante dez minutos, três a quatro vezes por dia, com massagem e higiene da margem palpebral, durante pelo menos quatro a seis semanas. É aqui que a maioria dos casos se resolve — e é também aqui que a maioria dos tratamentos falha, por falta de constância.

Existe indicação para drenar quando:

  • O nódulo persiste para lá de quatro a seis semanas de tratamento bem cumprido
  • É volumoso e incomoda esteticamente ou provoca desconforto mecânico
  • Deforma a córnea — um calázio grande pode induzir astigmatismo e baixar a visão
  • Recidiva sempre no mesmo local — e aqui a drenagem serve também para obter material para análise
  • Provoca inflamação repetida apesar do tratamento

Um ponto que merece insistência: um nódulo que recidiva persistentemente no mesmo sítio, com perda de pestanas ou alteração da margem palpebral, deve ser enviado para análise histológica. É raro, mas um carcinoma sebáceo pode apresentar-se exactamente como um calázio banal que não passa.

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Como se faz

Anestesia local

Aplica-se anestésico tópico e injecta-se uma pequena quantidade de anestésico local na pálpebra. A picada é o momento mais desconfortável de todo o procedimento.

Colocação da pinça

Uma pinça própria isola o calázio, estabiliza a pálpebra e controla o sangramento. A pálpebra é evertida para expor a face interna.

Incisão pela face interna

Faz-se uma incisão vertical na conjuntiva tarsal, na face interna da pálpebra. É esta via que evita qualquer marca na pele.

Curetagem

Remove-se o conteúdo gorduroso retido e raspa-se a cápsula que o envolve — este segundo passo é o que evita a recidiva no mesmo local.

Hemostase

Retira-se a pinça e faz-se compressão. Habitualmente não são necessários pontos, porque a conjuntiva cicatriza sozinha.

Penso compressivo

Coloca-se penso durante algumas horas e prescreve-se pomada antibiótica. Regressa a casa a seguir.

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Os dias seguintes

Inchaço e hematoma

Esperados nos primeiros dias e por vezes mais aparatosos do que o calázio original. Resolvem-se em cerca de uma semana.

Frio nas primeiras 48h

Compressas frias reduzem o inchaço e o hematoma na fase inicial. O calor só se retoma depois.

Pomada antibiótica

Durante alguns dias, conforme prescrito, para prevenir infecção da área intervencionada.

Regresso à actividade

Praticamente imediato. Evitar maquilhagem e piscina durante cerca de uma semana.

Sem pontos para retirar

A incisão interna cicatriza sozinha e não exige remoção de pontos.

Higiene palpebral permanente

A parte mais importante. Sem tratar a blefarite de fundo, aparecem novos calázios noutros locais.

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Evitar que voltem

A drenagem resolve aquele calázio. Não impede que surjam outros, e é aqui que muitos pacientes se frustram: drenam um, e meses depois aparece outro noutro ponto da pálpebra.

A razão é que o calázio é a consequência, não a causa. Por trás está quase sempre uma disfunção das glândulas de Meibómio ou uma blefarite crónica que continua activa. Tratar a causa implica:

  • Higiene diária da margem palpebral, como rotina permanente e não como tratamento de crise
  • Calor local regular, que mantém a secreção fluida e as glândulas permeáveis
  • Tratamento do olho seco associado, porque o mecanismo é o mesmo
  • Avaliação de rosácea, que é uma causa frequente e subdiagnosticada de calázios de repetição
  • Cuidado com a maquilhagem e desmaquilhagem correcta da margem palpebral

Ver terçolho e calázio para o tratamento conservador em detalhe.

Perguntas frequentes sobre cirurgia de calázio

Fica cicatriz?

Não visível. O procedimento faz-se pela face interna da pálpebra, onde a incisão fica escondida e cicatriza sozinha sem deixar marca externa. Em situações particulares — nomeadamente quando o calázio aponta para a pele e já drenou espontaneamente por fora — pode ser necessário aceder pela face externa, e nesse caso a incisão é planeada para acompanhar as linhas naturais da pálpebra.

Dói?

O momento desconfortável é a injecção do anestésico, que dura segundos. A partir daí o procedimento é indolor — sente-se pressão, não dor. Nas horas seguintes, quando a anestesia passa, há desconforto ligeiro que cede com analgésico comum.

Porque é que me apareceu outro calázio depois de drenar?

Porque a drenagem resolve o nódulo, não a causa. Por trás está habitualmente uma blefarite ou uma disfunção das glândulas de Meibómio que continua activa — e enquanto essa não for tratada, podem surgir novos calázios noutros pontos da pálpebra. A prevenção real está na higiene palpebral diária mantida como rotina permanente.

Posso fazer nas crianças?

Pode, mas a abordagem é diferente. Nas crianças os calázios resolvem-se espontaneamente com mais frequência do que nos adultos, pelo que se dá mais tempo ao tratamento conservador. Quando é mesmo necessário drenar, faz-se habitualmente sob sedação ou anestesia geral, porque é impossível pedir imobilidade a uma criança durante o procedimento.

Porque é que enviaram o material para análise?

É uma precaução que se toma em situações concretas: nódulos que recidivam sempre no mesmo local, com perda de pestanas, alteração da margem palpebral, ou aspecto atípico. Na esmagadora maioria dos casos a análise confirma um calázio banal. Faz-se porque existe uma entidade rara — o carcinoma sebáceo — que pode imitar um calázio com bastante fidelidade, e detectá-la cedo altera completamente o desfecho.

Referências e leitura complementar

A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.

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