DMI húmida
A indicação mais frequente. Iniciada precocemente, estabiliza a visão na grande maioria dos casos e recupera-a numa parte deles.
A injecção intravítrea administra o medicamento directamente no interior do olho, junto da retina. É hoje o tratamento de referência das doenças da mácula que ameaçam a visão central.
É o procedimento oftalmológico mais realizado no mundo, e transformou o prognóstico de doenças que há duas décadas conduziam inevitavelmente à perda de visão central. Assusta pela ideia — uma injecção no olho — e desilude essa expectativa na prática: dura segundos, faz-se com anestesia em gotas e a maioria dos pacientes descreve pressão, não dor.
Porque é que o medicamento tem de entrar no olho
O olho está protegido por barreiras biológicas que impedem a passagem da maioria das substâncias vindas do sangue. Isso é uma vantagem — protege-o de infecções — e um obstáculo: um comprimido não atinge a retina em concentração útil.
A injecção intravítrea resolve o problema de forma directa. O medicamento é colocado no vítreo, a poucos milímetros da mácula, onde actua em concentração elevada e com exposição mínima do resto do organismo.
Usam-se sobretudo duas famílias de fármacos:
Que doenças se tratam assim
A indicação mais frequente. Iniciada precocemente, estabiliza a visão na grande maioria dos casos e recupera-a numa parte deles.
A principal causa de perda de visão na retinopatia diabética. Responde bem ao anti-VEGF.
O edema macular que se segue a uma trombose venosa retiniana.
Vasos anómalos sob a mácula em olhos com miopia elevada.
Em associação ao laser, para fazer regredir os vasos novos antes da cirurgia.
Implantes de corticóide, quando a inflamação não responde ao tratamento sistémico.
Como decorre, passo a passo
Aplicam-se gotas anestésicas e dilatadoras. Desinfecta-se a superfície do olho e as pálpebras com iodopovidona, que é a medida isolada mais eficaz na prevenção de infecção.
Um pequeno dispositivo mantém as pálpebras abertas, para que não seja preciso fazer força e para evitar o contacto com as pestanas.
A agulha, muito fina, entra pela parte branca do olho a poucos milímetros do bordo da córnea, numa zona sem retina. Dura segundos. Pede-se apenas que olhe para o lado indicado.
Confirma-se a perfusão do nervo óptico e a pressão intraocular. Aplica-se colírio e o procedimento está terminado.
Sai a seguir, com a visão turva pela dilatação e por vezes a ver a bolha do medicamento como uma sombra móvel, que desaparece em horas ou dias.
O intervalo até à administração seguinte decide-se pela imagem: se a mácula está seca, espaça-se; se ainda há líquido, mantém-se o ritmo.
O que é normal e o que não é
Esperado nas horas e dias seguintes:
Motivo para contacto imediato:
Estes sinais podem indicar endoftalmite — uma infecção intraocular rara, com incidência inferior a um caso em mil administrações, mas cuja gravidade depende inteiramente da rapidez com que é tratada. É por isso que se explica sempre o que vigiar antes de o paciente sair.
Perguntas frequentes sobre injecções intravítreas
Menos do que a ideia sugere. A anestesia em gotas é eficaz e a agulha é muito fina — a maioria dos pacientes descreve uma sensação de pressão durante um ou dois segundos, não dor. O desconforto maior costuma vir depois, do antisséptico, e traduz-se em sensação de areia durante algumas horas. Praticamente todos os pacientes chegam à segunda administração significativamente menos ansiosos do que à primeira.
Não. Pede-se que olhe para o lado oposto ao ponto de entrada, precisamente para que a agulha fique fora do seu campo de visão. O que alguns pacientes referem ver é uma sombra ou umas bolhas depois da administração, que correspondem ao medicamento dentro do olho e desaparecem em horas ou poucos dias.
Não há número definido à partida. Começa-se habitualmente com uma série de administrações mensais e depois ajusta-se o intervalo consoante a resposta observada no OCT. Alguns pacientes conseguem espaçar bastante, outros mantêm um ritmo mais curto. É um tratamento de manutenção, e a razão mais frequente de recaída é interrompê-lo por conta própria quando a visão melhora.
Não deve. A pupila fica dilatada e a visão turva durante várias horas, o que compromete a condução com segurança. Deve vir acompanhado ou prever transporte. No dia seguinte, salvo indicação em contrário, retoma a actividade normal.
Na maioria dos casos a doença reactiva. Os anti-VEGF controlam o processo enquanto estão presentes no olho — não o curam. Interromper quando a visão está boa é compreensível e é o erro mais frequente: o líquido regressa, e a visão recuperada numa segunda fase costuma ficar aquém da que se tinha alcançado. Se houver motivo para suspender, essa decisão toma-se em consulta e com OCT na mão.
Referências e leitura complementar
A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.
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