Alívio habitualmente imediato
Quando a estenose era a causa única, a drenagem restabelece-se logo e o lacrimejo reduz-se de forma marcada.
O olho lacrimeja permanentemente e a lágrima escorre pela face, mesmo sem emoção nem vento. Quando a causa é o estreitamento do orifício de drenagem, resolve-se com um procedimento de minutos.
O lacrimejo constante é uma queixa incapacitante e socialmente incómoda — obriga a limpar o olho continuamente, embacia a visão e irrita a pele da pálpebra. Tem várias causas possíveis, e a que esta página trata é uma das mais simples de resolver: o estreitamento do ponto lacrimal, o pequeno orifício por onde a lágrima sai do olho.
Por onde sai a lágrima
A lágrima é produzida continuamente e drenada de forma contínua. A cada pestanejo é empurrada para o canto interno do olho, onde entra por dois orifícios minúsculos — os pontos lacrimais, um na pálpebra superior e outro na inferior. Daí segue por pequenos canais até ao saco lacrimal e, por fim, para o nariz.
É essa a razão pela qual o nariz pinga quando se chora: a lágrima em excesso desagua ali.
Quando o ponto lacrimal estreita ou fecha — a estenose do ponto lacrimal — a lágrima produzida normalmente deixa de ter por onde sair. Acumula-se e transborda pela pálpebra. Chama-se epífora.
As causas mais frequentes são:
Nem todo o lacrimejo é obstrução
Este é o ponto decisivo desta página, e a razão pela qual não se opera sem avaliar. O lacrimejo tem várias causas possíveis, e algumas são exactamente o oposto do que parecem:
A avaliação inclui observação com lâmpada de fenda, inspecção directa dos pontos lacrimais, teste de desaparecimento da fluoresceína e, quando indicado, entubação e irrigação das vias lacrimais para localizar exactamente o nível da obstrução.
Como se faz
Aplica-se anestésico tópico e infiltra-se o canto interno da pálpebra. É a parte mais desconfortável, e dura segundos.
Introduz-se um dilatador muito fino no orifício estreitado, para o alargar progressivamente e permitir o acesso.
Faz-se um pequeno corte na parede do canalículo, pela face interna da pálpebra — habitualmente em dois ou três cortes que criam a abertura definitiva.
Irriga-se a via lacrimal com soro para confirmar que a drenagem está permeável até ao nariz. O paciente sente o líquido na garganta, e é esse o sinal de sucesso.
Em casos com tendência a re-estenosar, coloca-se um tubo de silicone muito fino que se mantém algumas semanas e depois se retira em consulta.
Regressa a casa a seguir, com colírio antibiótico durante alguns dias. Retoma a actividade normal no próprio dia.
O que esperar
Quando a estenose era a causa única, a drenagem restabelece-se logo e o lacrimejo reduz-se de forma marcada.
Alguma sensibilidade no canto interno durante um ou dois dias, que cede com analgésico comum.
O orifício pode voltar a estreitar com o tempo. É a razão pela qual, em casos de risco, se coloca entubação de silicone.
Lacrimejo mantido após punctoplastia bem sucedida sugere obstrução do canal nasolacrimal, que exige outra abordagem.
Blefarite e olho seco associados devem ser tratados em paralelo, ou o problema recorre.
É frequente ser bilateral. Podem tratar-se na mesma sessão, dado que a recuperação é praticamente imediata.
Perguntas frequentes sobre punctoplastia
Parece contraditório e é a pergunta mais frequente sobre este tema. A explicação é que a superfície irritada pela secura desencadeia um reflexo: a glândula lacrimal responde produzindo uma descarga de lágrima abundante mas de má qualidade, que escorre em vez de proteger. O olho lacrimeja precisamente porque está seco. Nesse caso o tratamento é o do olho seco, e mexer na drenagem só agravaria o quadro.
É um procedimento cirúrgico menor, feito em consulta com anestesia local e sem necessidade de bloco operatório. Dura poucos minutos, não exige jejum nem preparação prévia, e retoma a actividade normal no próprio dia. Em termos de exigência é comparável à drenagem de um calázio.
Significa habitualmente que a obstrução não estava — ou não estava apenas — no ponto lacrimal, mas mais abaixo, no canal que liga ao nariz. Nesse caso a solução é outra cirurgia, a dacriocistorrinostomia, que cria uma nova via de drenagem directa para a cavidade nasal. É um procedimento maior, e por isso a avaliação prévia procura localizar o nível exacto da obstrução antes de intervir.
Pode, e é a limitação conhecida desta técnica. A cicatrização pode estreitar novamente a abertura criada, sobretudo em pacientes com inflamação crónica da margem palpebral. Para reduzir esse risco, em casos seleccionados coloca-se um tubo de silicone que mantém a via aberta durante a cicatrização e se retira algumas semanas depois. Tratar a blefarite de base é igualmente parte da prevenção.
Pode. A lágrima retida é meio favorável a infecções repetidas das vias lacrimais, que se manifestam como inchaço doloroso no canto interno do olho. A humidade permanente irrita e macera a pele da pálpebra. E a película de lágrima instável embacia a visão de forma intermitente, o que é particularmente incómodo a conduzir e a ler.
Referências e leitura complementar
A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.
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