«Qual é a melhor, LASIK ou PRK?» É a pergunta que mais se faz antes de uma cirurgia refractiva a laser, e tem uma resposta menos satisfatória do que se gostaria: nenhuma é melhor em abstracto.

As técnicas descritas aqui corrigem a graduação do mesmo modo, porque o laser excímer remodela a curvatura da córnea. O que muda é o caminho até lá, e é esse caminho que decide a recuperação, o desconforto e as córneas a que cada técnica se pode aplicar.

O que as técnicas têm em comum

Antes das diferenças, convém saber o que não muda de uma técnica para outra:

  • O laser excímer aplica um perfil de ablação calculado a partir dos exames do olho de cada pessoa. Não há duas ablações iguais, porque não há duas córneas iguais.
  • A anestesia é por gotas e a cirurgia a laser não exige jejum. As indicações de preparação são-lhe dadas por escrito.
  • O laser excímer actua cerca de 15 segundos em cada olho, e a permanência em bloco, aos dois olhos, ronda os 10 minutos.
  • Não há pontos, e regressa-se a casa no mesmo dia, acompanhado. A primeira revisão é às 24 horas seguintes.

Três caminhos até ao mesmo laser

TécnicaComo se chega ao tecido que o laser remodelaRecuperação visualDesconforto nos primeiros dias
PRKO epitélio, a camada mais superficial da córnea, é removido à mão e o laser actua à superfícieMais lentaMaior
transPRKO próprio laser remove o epitélio, num só passoComo na PRK, mais lenta do que no femtoLASIKSemelhante ao da PRK, e em alguns estudos ligeiramente menor
femtoLASIKUm laser de femtossegundo separa uma camada fina de tecido e o excímer actua por baixoA mais rápida: a visão melhora, em regra, nas primeiras 24 horasPouco, sobretudo nas primeiras horas

A PRK. É a técnica de superfície clássica. Como não cria nenhum plano de corte, costuma ser a indicada em córneas finas ou em quem pratica desportos de contacto. Em troca, a recuperação visual é mais lenta e os primeiros dias são mais desconfortáveis.

A transPRK. É uma variante da PRK: o laser retira o epitélio, num só passo e sem que nenhum instrumento toque no olho. A recuperação e o desconforto são semelhantes aos da PRK, e os estudos que as comparam encontram diferenças pequenas a favor da transPRK ou nenhuma.

O femtoLASIK. O laser de femtossegundo separa a camada de tecido sem lâmina, o excímer aplica a correcção por baixo e o tecido volta ao lugar sem pontos. É a técnica de recuperação mais rápida.

Para a vista cansada existe ainda o femtoPRESBYLASIK, que aplica o mesmo princípio com um perfil desenhado para tratar a visão de perto e que só se pondera em córneas com condições para isso. Os compromissos desta opção discutem-se na consulta, e a página da cirurgia refractiva descreve-a.

O que decide a técnica

Antes de escolher, mede-se. Os dados que pesam são estes:

  • A espessura da córnea. Corrigir a graduação é remover tecido, e quanto maior a graduação, mais tecido. Uma córnea fina pede, em regra, uma técnica de superfície.
  • A topografia e a tomografia. Uma córnea regular é condição de qualquer técnica. A topografia mostra a curvatura da superfície, e a tomografia analisa também a face posterior e a espessura, e apanha formas iniciais que a primeira pode não mostrar. Sinais de queratocone ou de ectasia, a deformação progressiva da córnea, afastam o laser, sejam quais forem os restantes dados.
  • A graduação a corrigir, e se esteve estável nos últimos 12 meses.
  • O que a pessoa faz. Quem pratica desportos de contacto, ou tem uma profissão em que o olho está exposto a pancadas, ganha em não ter um plano de corte na córnea.
  • A superfície do olho. O olho seco avalia-se antes de qualquer técnica e, quando existe, trata-se primeiro.
  • A rapidez da recuperação. É um critério legítimo, mas vem depois da segurança e não antes dela.

A espessura e a forma da córnea medem-se na segunda consulta, a dos exames, e é para ela que se pede o intervalo sem lentes de contacto: no mínimo 7 dias as moles e 14 dias as rígidas. Uma córnea moldada pela lente falseia justamente as medições de que esta escolha depende.

O que muda na recuperação

Em todas as técnicas a primeira revisão é às 24 horas. O que muda é o que acontece depois:

  • No femtoLASIK, a visão melhora, em regra, nas primeiras 24 horas e o desconforto é pouco, sobretudo nas primeiras horas. A maioria regressa ao trabalho de escritório em dois a três dias.
  • Na PRK e na transPRK, os primeiros dias trazem sensação de areia no olho, lacrimejo e sensibilidade à luz, e a visão melhora ao longo de dias e semanas e não de um dia para o outro. Aplica-se uma lente de contacto terapêutica enquanto a superfície cicatriza, e há ainda uma consulta para a retirar. A recuperação visual pode exigir cerca de uma semana ou mais, e as actividades com poeiras, água ou risco de pancada pedem uma pausa mais longa.

Em todas, o olho seco e os halos à volta das luzes à noite fazem parte da recuperação normal nas primeiras semanas a meses, e em alguns casos duram mais tempo. O artigo sobre o que a cirurgia refractiva resolve e o que não resolve descreve estes efeitos transitórios com o rigor que merecem.

Quando o laser não é a resposta

Nem toda a gente é candidata. A graduação tem de estar estável, a pessoa tem de ter pelo menos 21 anos, e não pode haver patologia ocular activa: glaucoma não controlado, doença da retina ou olho seco severo. Como qualquer cirurgia, a refractiva tem riscos, como a infecção, a ectasia ou uma correcção insuficiente, que se discutem na consulta.

Quando a córnea não reúne condições, a resposta não é operar na mesma. Pode ser propor uma lente fáquica (ICL), que resolve o mesmo problema por outra via, sem remover tecido da córnea. É uma cirurgia dentro do olho, com riscos próprios que também se discutem na consulta. Dizer «o laser não é para si» é uma resposta clínica tão válida como marcar a cirurgia.

Perguntas frequentes

LASIK ou PRK: qual é melhor?

Nenhuma é melhor em abstracto. A técnica certa é a que a sua córnea permite e que o seu objectivo visual justifica, e só a medição da espessura e da forma da córnea o diz.

Qual das técnicas dói mais?

Durante a cirurgia, as gotas anestesiam o olho e sente-se sobretudo pressão. Depois, as técnicas de superfície, a PRK e a transPRK, têm mais desconforto nos primeiros dias, e o femtoLASIK tem pouco, sobretudo nas primeiras horas.

Operam-se os dois olhos no mesmo dia?

Pode fazer-se na mesma sessão. O laser excímer actua cerca de 15 segundos em cada olho, e a permanência em bloco, aos dois olhos, ronda os 10 minutos. A indicação concreta fica definida na consulta.

Quanto tempo até voltar à rotina?

Depende da técnica. Com o femtoLASIK, a maioria regressa ao trabalho de escritório em dois a três dias. Nas técnicas de superfície, a recuperação é mais lenta e pode exigir cerca de uma semana. Actividades com poeiras, água ou risco de pancada exigem uma pausa mais longa.

A correcção é permanente?

A remodelação da córnea é permanente, mas o olho continua a mudar. Numa minoria de casos há regressão da graduação, que por vezes se retrata, se houver córnea suficiente. A presbiopia chega a todas as pessoas, operadas ou não, a partir dos quarenta anos.

A cirurgia a laser corrige a vista cansada?

O LASIK e a PRK habituais corrigem a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, mas não a presbiopia, que chega a todas as pessoas por volta dos quarenta anos. Para a vista cansada existe o femtoPRESBYLASIK, que só se pondera em córneas com condições para isso e cujos compromissos se discutem na consulta.

O que fazer a seguir

A escolha da técnica faz-se na segunda consulta, a dos exames, com a topografia, a tomografia e a paquimetria na mão. O passo que a antecede é uma consulta de avaliação. Se usa lentes de contacto, retire-as 48 horas antes dessa primeira consulta, e guarde o intervalo maior para a dos exames.

Para o conjunto de técnicas, critérios e recuperação, a página da cirurgia refractiva reúne tudo, e os exames que sustentam a decisão estão descritos em OCT, topografia, biometria e campos visuais.

Fontes e leitura adicional

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Este artigo é informativo e não substitui uma avaliação clínica. Marque uma consulta com o Dr. André Magalhães Oliveira e discuta o seu caso concreto, com exames e com tempo.

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A informação deste artigo tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. O diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial.