02 · Problemas de Visão

Hipermetropia

Na hipermetropia o olho tem dificuldade em focar ao perto — e, em graus mais elevados, também ao longe. Ao contrário do que se pensa, não é uma condição da idade: está presente desde a infância.

Muitos hipermetropes passam anos sem diagnóstico, porque o olho jovem compensa o defeito à custa de esforço muscular contínuo. O preço dessa compensação é o cansaço visual — e a certa altura o mecanismo deixa de chegar.

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Porque é que a hipermetropia acontece

A hipermetropia é o oposto anatómico da miopia: a luz é focada depois da retina, e não antes. A imagem chega ao cérebro desfocada, sobretudo a curta distância.

As causas são duas, muitas vezes combinadas:

  • O olho é mais curto do que o normal. É a causa mais frequente e tem componente hereditária.
  • A córnea é demasiado plana, refractando a luz com força insuficiente.

O olho jovem dispõe de uma reserva chamada acomodação: o cristalino altera a forma para aumentar o poder de focagem. Enquanto essa reserva existe, a hipermetropia ligeira permanece invisível. A partir dos 40 anos a acomodação diminui, e a hipermetropia que estava latente torna-se sintomática — muitas vezes confundida com presbiopia.

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Como se manifesta

Dificuldade ao perto

Ler, coser ou trabalhar ao computador exige afastar o objecto ou aumentar a iluminação para manter a nitidez.

Fadiga e ardor ocular

O esforço acomodativo permanente traduz-se em olhos cansados, ardor e sensação de peso ao final do dia.

Cefaleias frontais

Dores de cabeça associadas a tarefas visuais prolongadas, tipicamente na zona da testa e à volta dos olhos.

Estrabismo na infância

Em crianças, a hipermetropia não corrigida pode causar desvio ocular e ambliopia. Justifica rastreio precoce.

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Avaliação especializada

O diagnóstico da hipermetropia exige um cuidado que o da miopia não exige: distinguir o valor real do valor mascarado pela acomodação. Um exame apressado subestima a graduação.

  • Refracção sob cicloplegia — quando indicado, relaxa temporariamente o músculo acomodativo e revela a hipermetropia total, não apenas a manifesta.
  • Topografia e paquimetria corneanas — avaliam a viabilidade do tratamento laser.
  • Biometria e avaliação da câmara anterior — determinam se há espaço para lente intraocular.
  • Avaliação da acomodação — mede a reserva funcional disponível, decisiva acima dos 40 anos.
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Opções de correcção

Óculos e lentes de contacto

Compensam o defeito e aliviam a fadiga acomodativa. Em crianças, são também o tratamento do estrabismo associado.

Cirurgia refractiva laser

Acentua a curvatura central da córnea para aumentar o poder de focagem. Eficaz em hipermetropias ligeiras a moderadas.

Lentes intraoculares

Em hipermetropias elevadas, ou depois dos 45-50 anos, a lente intraocular oferece resultado mais estável e trata simultaneamente a presbiopia.

Cirurgia de cristalino transparente

A substituição do cristalino corrige a hipermetropia e elimina de vez a possibilidade de catarata futura. Ponderada caso a caso.

Perguntas frequentes sobre hipermetropia

A hipermetropia é o mesmo que presbiopia?

Não, embora sejam facilmente confundidas porque ambas dificultam a visão ao perto. A hipermetropia é um erro refractivo estrutural, presente desde a infância. A presbiopia é a perda progressiva da capacidade de focagem do cristalino, que ocorre em toda a gente a partir dos 40 anos. Uma pessoa pode ter as duas em simultâneo — e nesse caso os sintomas surgem mais cedo e com mais intensidade.

A hipermetropia piora com o tempo?

O valor refractivo mantém-se relativamente estável na idade adulta. O que muda é a capacidade de o compensar: à medida que a acomodação diminui com a idade, a mesma hipermetropia torna-se progressivamente mais sintomática. Daí a impressão de agravamento.

A cirurgia laser resulta na hipermetropia?

Sim, em graus ligeiros a moderados e com córnea adequada. Em valores elevados o tratamento laser é menos previsível e tende a regredir com o tempo — nesses casos a lente intraocular é a opção mais sólida. A avaliação define qual se aplica ao seu caso.

O meu filho tem hipermetropia. É preocupante?

Algum grau de hipermetropia é normal e fisiológico na infância, reduzindo-se com o crescimento do olho. Torna-se relevante quando é elevada ou assimétrica entre os dois olhos, situação em que pode causar estrabismo ou ambliopia — o chamado olho preguiçoso. O rastreio oftalmológico em idade pré-escolar permite detectar e tratar a tempo.

Referências e leitura complementar

A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.

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