02 · Cirurgias

Cirurgia Refractiva

A cirurgia refractiva remodela a córnea com laser para que a luz volte a ser focada exactamente sobre a retina. Corrige miopia, hipermetropia, astigmatismo e — com a técnica indicada — também a presbiopia. Devolve a liberdade de viver sem óculos.

É um procedimento consolidado, com décadas de evidência clínica e resultados altamente previsíveis nos candidatos correctamente seleccionados. A palavra decisiva é essa: selecção. A qualidade do resultado começa na avaliação, não na sala de cirurgia.

Duração total em bloco operatório, aos dois olhos 10 minutos
Apenas gotas anestésicas Anestesia tópica
Retoma da actividade normal 24-72 horas
Tempo de aplicação do laser em cada olho 15 segundos
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Remodelar a córnea com precisão micrométrica

A córnea é a lente externa do olho e responde por cerca de dois terços do seu poder refractivo. Alterar a sua curvatura em poucas micras é suficiente para reposicionar o ponto de foco sobre a retina.

O laser excímer remove tecido corneano com precisão micrométrica, segundo um perfil calculado a partir da topografia do olho de cada paciente. Não há duas ablações iguais, porque não há duas córneas iguais.

  • Na miopia — aplana-se a zona central da córnea, reduzindo o poder refractivo.
  • Na hipermetropia — acentua-se a curvatura central, aumentando o poder refractivo.
  • No astigmatismo — regulariza-se a curvatura, igualando os dois eixos.
  • Na presbiopia — cria-se um perfil corneano com profundidade de foco alargada, que devolve visão de perto sem sacrificar a visão ao longe. É a técnica femtoPRESBYLASIK.
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Quem é candidato

Nem toda a gente é candidata a cirurgia refractiva, e dizê-lo com clareza faz parte de uma prática séria. Os critérios são:

  • Idade a partir dos 21 anos, com graduação estável há pelo menos 12 meses
  • Córnea com espessura suficiente, verificada por paquimetria
  • Topografia regular, sem sinais de queratocone ou ectasia
  • Ausência de patologia ocular activa — glaucoma não controlado, doença da retina, olho seco severo
  • Expectativas realistas, discutidas e alinhadas antes da decisão

Quando a córnea não reúne condições, a resposta não é operar na mesma: é propor uma lente intraocular, que resolve o mesmo problema por outra via e com melhor perfil de segurança nesses casos.

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Quatro técnicas, uma decisão anatómica

Não existe a melhor técnica em abstracto: existe a técnica que a sua córnea permite e que o seu objectivo visual justifica. A espessura corneana, a topografia e a graduação a corrigir determinam a escolha — e é por isso que a avaliação vale mais do que qualquer folheto.

PRK

Técnica de superfície. Remove-se manualmente o epitélio da córnea e aplica-se o laser directamente sobre o estroma. Não cria nenhum plano de corte, o que a torna a opção mais segura em córneas finas ou em quem pratica desportos de contacto. Em troca, a recuperação visual é mais lenta e há mais desconforto nos primeiros dias.

transPRK

A evolução da PRK: o próprio laser remove o epitélio, num só passo e sem contacto de instrumentos com o olho. Mais rápida, mais precisa e com epitélio de contorno mais regular, o que se traduz em menos desconforto e cicatrização mais previsível do que na PRK clássica.

femtoLASIK

O laser de femtossegundo separa uma camada lamelar de tecido com precisão de micras — sem lâmina — e o laser excímer aplica a correcção por baixo. O tecido volta ao lugar sem pontos. É a técnica de recuperação mais rápida: a maioria vê bem no dia seguinte, com pouco ou nenhum desconforto.

femtoPRESBYLASIK

Aplica o mesmo princípio do femtoLASIK, mas com um perfil de ablação desenhado para tratar a presbiopia. Cria uma córnea com profundidade de foco alargada, devolvendo visão de perto sem comprometer a visão ao longe. É a resposta laser à vista cansada, para quem reúne condições corneanas.

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O dia da cirurgia

Preparação

Gotas anestésicas e assepsia. Sem jejum obrigatório na maioria dos casos e sem necessidade de internamento.

Acesso ao estroma corneano

Consoante a técnica indicada, separa-se uma camada de tecido lamelar ou remove-se o epitélio de superfície. A escolha depende da anatomia da sua córnea.

Ablação com laser excímer

O laser aplica o perfil calculado. É a parte que corrige a visão e dura cerca de 15 segundos por olho, acompanhada por rastreio ocular activo que segue o olho em tempo real. Está em bloco cerca de 10 minutos; o laser em si trabalha 15 segundos.

Reposição e protecção

O tecido é reposicionado, ou aplica-se lente de contacto terapêutica. Sem pontos.

Alta e primeira revisão

Regressa a casa acompanhado no mesmo dia, com revisão marcada para as 24 horas seguintes.

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O que esperar

A grande maioria dos pacientes correctamente seleccionados atinge visão sem correcção suficiente para conduzir e para a generalidade das actividades diárias.

Há efeitos transitórios que fazem parte do processo normal e que convém conhecer de antemão:

  • Olho seco nas primeiras semanas a meses, controlado com lágrimas artificiais
  • Halos e encandeamento nocturno, mais notórios no primeiro mês e que tendem a atenuar-se
  • Flutuação visual ao longo do dia durante o período de cicatrização

Importa reter um ponto: corrigir a miopia, a hipermetropia ou o astigmatismo aos 30 anos não impede a presbiopia de aparecer a partir dos 40 — ela chega a toda a gente, operada ou não. O que mudou é que deixou de ser um beco sem saída: quando a vista cansada se instala, há resposta, seja pela técnica femtoPRESBYLASIK, seja por lentes intraoculares. Dizemo-lo aqui para que ninguém se sinta enganado dez anos depois.

Perguntas frequentes sobre cirurgia refractiva

A cirurgia refractiva é definitiva?

A remodelação da córnea é permanente: o tecido removido pelo laser não se regenera. O que pode mudar com o tempo é o próprio olho, e é essa a distinção honesta a fazer.

Numa minoria de casos ocorre regressão refractiva — miópica ou hipermetrópica — em que parte da graduação corrigida regressa ao longo dos anos. É pouco frequente e, quando acontece, costuma ser passível de retratamento, desde que exista espessura corneana disponível. Independentemente disso, a presbiopia surgirá a partir dos 40 anos, como em qualquer pessoa operada ou não.

Posso ficar cego?

A perda de visão por cirurgia refractiva é extraordinariamente rara. Trata-se de um procedimento realizado há mais de trinta anos, com milhões de casos documentados e um perfil de segurança bem estabelecido. Como qualquer acto cirúrgico, tem riscos — infecção, ectasia, correcção insuficiente — que são discutidos individualmente em consulta e minimizados pela selecção rigorosa de candidatos.

Quanto tempo fico sem trabalhar?

Depende da técnica. Nas técnicas lamelares, a maioria dos pacientes regressa ao trabalho de escritório em dois a três dias. Nas técnicas de superfície, a recuperação visual é mais lenta e pode exigir cerca de uma semana. Actividades com poeiras, água ou risco de traumatismo exigem pausa mais longa.

Uso lentes de contacto. Preciso de as suspender antes?

Sim, e é a preparação que mais consultas faz repetir. Para avaliar qualquer cirurgia — laser ou catarata — é necessária, no mínimo, uma semana sem lentes de contacto.

As lentes moldam a córnea enquanto são usadas, e a córnea leva dias a recuperar a sua forma própria. Medir antes disso dá uma topografia e uma biometria falseadas — e um cálculo feito sobre medidas erradas leva a uma cirurgia com o resultado errado.

Na prática: lentes moles, pelo menos 7 dias; lentes rígidas ou permeáveis a gases, pelo menos 15 dias, por vezes mais conforme o tempo de uso. Sem esse intervalo a avaliação não é conclusiva e há que remarcar. Se usa lentes, diga-o ao marcar: ajustamos a data para não perder a viagem.

Tenho astigmatismo elevado. Posso operar?

Frequentemente sim. O laser corrige astigmatismos regulares com boa previsibilidade. Em valores muito elevados, ou quando o astigmatismo é irregular, avaliam-se alternativas como lentes tóricas. A topografia determina o caminho.

Referências e leitura complementar

A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.

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