Visão progressivamente turva
Instalação gradual, semelhante à da catarata original. É o que leva o paciente a pensar que ela voltou.
Meses ou anos depois de operar a catarata, a visão pode voltar a embaciar. Não é a catarata a regressar — é a cápsula que aloja a lente a perder transparência. Resolve-se com laser, em minutos.
É a situação que mais confunde os pacientes operados, e a explicação é simples de dar e tranquilizadora de ouvir: a catarata não volta, porque o cristalino foi removido e não se regenera. O que opacifica é a membrana natural que se preservou para alojar a lente intraocular. O tratamento não é uma segunda cirurgia — é um procedimento de consulta, sem incisões e sem recuperação.
Porque é que a visão volta a embaciar
Na cirurgia de catarata remove-se o cristalino opaco mas preserva-se deliberadamente a cápsula que o envolvia — uma membrana finíssima e transparente. É ela que aloja e mantém estável a lente intraocular implantada, e sem ela a lente não teria onde assentar.
Com o tempo, células que restaram na periferia da cápsula migram e proliferam sobre a face posterior. A membrana perde transparência e a luz deixa de a atravessar limpamente. Chama-se opacificação da cápsula posterior, e é vulgarmente conhecida como catarata secundária — um nome infeliz, porque sugere exactamente aquilo que não é.
Acontece a uma proporção significativa dos olhos operados, tipicamente entre alguns meses e alguns anos após a cirurgia. É mais frequente em pacientes jovens e em olhos com determinadas características, e não indica que a cirurgia tenha corrido mal.
Como se manifesta
Instalação gradual, semelhante à da catarata original. É o que leva o paciente a pensar que ela voltou.
Halos e dispersão da luz à noite, sobretudo a conduzir contra faróis.
As cores parecem lavadas e o contraste diminui, mesmo quando a acuidade medida ainda é razoável.
Necessidade crescente de luz para a mesma tarefa.
É um processo puramente óptico. Olho vermelho ou dor apontam para outra causa.
Frequentemente instala-se primeiro num olho, e a diferença nota-se ao tapar alternadamente.
Como se faz a capsulotomia
Gotas dilatadoras e anestésicas. Não é necessário jejum nem qualquer preparação prévia, e não há internamento.
Senta-se ao laser, com o queixo apoiado, como numa observação normal. Coloca-se uma lente de contacto sobre o olho para focar o feixe com precisão.
O laser YAG atravessa a córnea e o cristalino artificial sem os lesar e abre uma janela circular no centro da cápsula opacificada. Ouvem-se pequenos estalidos e vêem-se flashes de luz.
Mede-se a pressão intraocular pouco depois, porque pode subir transitoriamente. Aplica-se colírio se necessário.
Sai a seguir. A visão fica turva pela dilatação durante algumas horas e clareia habitualmente no próprio dia.
A janela aberta é permanente. A cápsula não volta a opacificar nessa zona, e o procedimento não precisa de ser repetido.
Riscos e o que vigiar
É um procedimento com margem de segurança elevada, mas não é isento de risco e vale a pena conhecê-lo:
Perante flashes de luz, aumento súbito de moscas volantes ou uma sombra no campo de visão nas semanas seguintes, deve ser observado — ver roturas e buracos da retina.
Uma nota sobre o momento de fazer: não se trata uma cápsula opacificada só porque ela existe. Trata-se quando há repercussão real na visão do paciente.
Perguntas frequentes sobre capsulotomia laser yag
Não, e é impossível que volte. Na cirurgia o cristalino é removido por completo e não se regenera — não há tecido que possa voltar a opacificar. O que perdeu transparência foi a cápsula que se preservou de propósito para alojar a lente intraocular. O nome popular «catarata secundária» é enganador, e é a origem de quase toda a ansiedade que os pacientes trazem a esta consulta.
Não. Não há incisões, não entra nenhum instrumento no olho e não há sala de operações. O laser atravessa a córnea e a lente artificial sem lhes tocar e actua apenas sobre a cápsula. Faz-se sentado, em consulta, e dura poucos minutos. É a diferença mais tranquilizadora que há para dar a quem chega convencido de que vai ser operado outra vez.
A maioria dos pacientes nota melhoria no próprio dia, assim que a dilatação passa. Nalguns casos a clarificação é imediata e descrita como levantar um véu. As moscas volantes que podem surgir nos primeiros dias tornam-se progressivamente menos perceptíveis.
Não. A abertura criada na cápsula é permanente e essa zona não volta a opacificar. É um tratamento definitivo, feito uma única vez em cada olho.
Só nos olhos que tiverem a cápsula opacificada com repercussão na visão. É frequente que aconteça primeiro num e mais tarde no outro, e cada um se trata quando tiver indicação. Não se antecipa o procedimento num olho que ainda vê bem.
Referências e leitura complementar
A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.
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