05 · Cirurgias

Capsulotomia Laser YAG

Meses ou anos depois de operar a catarata, a visão pode voltar a embaciar. Não é a catarata a regressar — é a cápsula que aloja a lente a perder transparência. Resolve-se com laser, em minutos.

É a situação que mais confunde os pacientes operados, e a explicação é simples de dar e tranquilizadora de ouvir: a catarata não volta, porque o cristalino foi removido e não se regenera. O que opacifica é a membrana natural que se preservou para alojar a lente intraocular. O tratamento não é uma segunda cirurgia — é um procedimento de consulta, sem incisões e sem recuperação.

Duração do procedimento 2 a 5 minutos
O laser atravessa a córnea sem a tocar Sem incisões
Uma vez feita, não se repete Definitivo
A visão clareia habitualmente no mesmo dia Melhoria em horas
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Porque é que a visão volta a embaciar

Na cirurgia de catarata remove-se o cristalino opaco mas preserva-se deliberadamente a cápsula que o envolvia — uma membrana finíssima e transparente. É ela que aloja e mantém estável a lente intraocular implantada, e sem ela a lente não teria onde assentar.

Com o tempo, células que restaram na periferia da cápsula migram e proliferam sobre a face posterior. A membrana perde transparência e a luz deixa de a atravessar limpamente. Chama-se opacificação da cápsula posterior, e é vulgarmente conhecida como catarata secundária — um nome infeliz, porque sugere exactamente aquilo que não é.

Acontece a uma proporção significativa dos olhos operados, tipicamente entre alguns meses e alguns anos após a cirurgia. É mais frequente em pacientes jovens e em olhos com determinadas características, e não indica que a cirurgia tenha corrido mal.

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Como se manifesta

Visão progressivamente turva

Instalação gradual, semelhante à da catarata original. É o que leva o paciente a pensar que ela voltou.

Encandeamento

Halos e dispersão da luz à noite, sobretudo a conduzir contra faróis.

Perda de contraste

As cores parecem lavadas e o contraste diminui, mesmo quando a acuidade medida ainda é razoável.

Dificuldade a ler

Necessidade crescente de luz para a mesma tarefa.

Sem dor nem vermelhidão

É um processo puramente óptico. Olho vermelho ou dor apontam para outra causa.

Pode afectar só um olho

Frequentemente instala-se primeiro num olho, e a diferença nota-se ao tapar alternadamente.

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Como se faz a capsulotomia

Preparação

Gotas dilatadoras e anestésicas. Não é necessário jejum nem qualquer preparação prévia, e não há internamento.

Posicionamento

Senta-se ao laser, com o queixo apoiado, como numa observação normal. Coloca-se uma lente de contacto sobre o olho para focar o feixe com precisão.

Aplicação do laser

O laser YAG atravessa a córnea e o cristalino artificial sem os lesar e abre uma janela circular no centro da cápsula opacificada. Ouvem-se pequenos estalidos e vêem-se flashes de luz.

Verificação da pressão

Mede-se a pressão intraocular pouco depois, porque pode subir transitoriamente. Aplica-se colírio se necessário.

Regresso a casa

Sai a seguir. A visão fica turva pela dilatação durante algumas horas e clareia habitualmente no próprio dia.

Sem repetição

A janela aberta é permanente. A cápsula não volta a opacificar nessa zona, e o procedimento não precisa de ser repetido.

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Riscos e o que vigiar

É um procedimento com margem de segurança elevada, mas não é isento de risco e vale a pena conhecê-lo:

  • Subida transitória da pressão intraocular — a complicação mais comum, habitualmente ligeira e controlada com colírio. É por isso que se mede a pressão antes de sair.
  • Moscas volantes — frequentes nos dias seguintes, correspondentes aos fragmentos da cápsula. Tornam-se menos perceptíveis com o tempo.
  • Aumento do risco de rotura ou descolamento de retina — pequeno, mas real, sobretudo em olhos míopes. É a razão pela qual se examina a retina antes e se explicam os sinais de alarme.
  • Edema macular — raro, e mais provável em olhos com retinopatia diabética ou uveíte prévias.

Perante flashes de luz, aumento súbito de moscas volantes ou uma sombra no campo de visão nas semanas seguintes, deve ser observado — ver roturas e buracos da retina.

Uma nota sobre o momento de fazer: não se trata uma cápsula opacificada só porque ela existe. Trata-se quando há repercussão real na visão do paciente.

Perguntas frequentes sobre capsulotomia laser yag

A catarata voltou?

Não, e é impossível que volte. Na cirurgia o cristalino é removido por completo e não se regenera — não há tecido que possa voltar a opacificar. O que perdeu transparência foi a cápsula que se preservou de propósito para alojar a lente intraocular. O nome popular «catarata secundária» é enganador, e é a origem de quase toda a ansiedade que os pacientes trazem a esta consulta.

É outra cirurgia?

Não. Não há incisões, não entra nenhum instrumento no olho e não há sala de operações. O laser atravessa a córnea e a lente artificial sem lhes tocar e actua apenas sobre a cápsula. Faz-se sentado, em consulta, e dura poucos minutos. É a diferença mais tranquilizadora que há para dar a quem chega convencido de que vai ser operado outra vez.

Quanto tempo demora a ver bem?

A maioria dos pacientes nota melhoria no próprio dia, assim que a dilatação passa. Nalguns casos a clarificação é imediata e descrita como levantar um véu. As moscas volantes que podem surgir nos primeiros dias tornam-se progressivamente menos perceptíveis.

Vai precisar de ser repetido?

Não. A abertura criada na cápsula é permanente e essa zona não volta a opacificar. É um tratamento definitivo, feito uma única vez em cada olho.

Tenho de fazer nos dois olhos?

Só nos olhos que tiverem a cápsula opacificada com repercussão na visão. É frequente que aconteça primeiro num e mais tarde no outro, e cada um se trata quando tiver indicação. Não se antecipa o procedimento num olho que ainda vê bem.

Referências e leitura complementar

A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.

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