Primeiras 48 horas
O período mais desconfortável. Sensação de corpo estranho intensa, lacrimejo e fotofobia, controlados com a medicação prescrita.
Remover o pterígio é a parte fácil. O que distingue uma boa cirurgia é impedir que volte — e é para isso que serve o auto-enxerto de conjuntiva do próprio paciente.
Esta cirurgia tem uma história instrutiva. Durante décadas fez-se por remoção simples, e a recidiva era tão frequente que muitos pacientes acabavam pior do que antes de operar — o tecido regressava mais agressivo e mais vascularizado. A técnica de auto-enxerto conjuntival mudou isso por completo, e é hoje o padrão. É a razão pela qual a conversa sobre esta cirurgia começa sempre pela recidiva.
Quando se opera
Nem todo o pterígio tem indicação cirúrgica, e resistir à tentação de operar cedo demais faz parte de uma prática séria. As indicações são:
A pinguécula — a elevação amarelada que não invade a córnea — raramente se opera. Faz-se quando inflama de forma repetida e incapacitante, ou quando o aspecto incomoda significativamente. A técnica é semelhante, mais simples, e a recidiva é menos frequente.
Porquê o auto-enxerto
A remoção simples deixa uma área de esclera exposta. É precisamente essa superfície nua que convida o tecido a regressar — e a recidiva, quando acontece, costuma ser mais agressiva e mais vascularizada do que o pterígio original.
O auto-enxerto conjuntival resolve o problema na sua origem: colhe-se um pequeno fragmento de conjuntiva saudável do próprio paciente, habitualmente de debaixo da pálpebra superior, e cobre-se com ele a área operada. A superfície deixa de estar exposta e a barreira natural é restabelecida.
Duas vantagens práticas decorrem daqui:
O enxerto pode ser fixado com pontos muito finos ou com cola biológica. A cola reduz o desconforto pós-operatório e o tempo cirúrgico; a escolha faz-se caso a caso.
Não fica cicatriz visível no local de colheita: a conjuntiva sob a pálpebra superior regenera-se em poucas semanas e é uma zona que não se vê.
O dia da cirurgia
Anestesia tópica complementada com anestesia local. Permanece acordado e confortável durante todo o procedimento, sem ver nada do que se passa.
Separa-se o tecido da córnea e da esclera e removem-se também as fibras subjacentes, que são as responsáveis pela tracção e pelo regresso.
Alisa-se cuidadosamente a superfície corneana onde o pterígio estava aderente, para minimizar a irregularidade residual.
Retira-se um fragmento fino de conjuntiva de debaixo da pálpebra superior — zona que regenera sozinha e que não é visível.
O enxerto é posicionado sobre a área operada e fixado com pontos finos ou cola biológica.
Coloca-se penso oclusivo ou lente terapêutica e regressa a casa. A primeira revisão é no dia seguinte.
O que esperar depois
O período mais desconfortável. Sensação de corpo estranho intensa, lacrimejo e fotofobia, controlados com a medicação prescrita.
O desconforto reduz-se progressivamente. Colírios antibióticos e anti-inflamatórios em esquema definido. Evitar esforços e água.
A área operada permanece vermelha durante várias semanas a alguns meses. É o aspecto normal da cicatrização — não é infecção nem recidiva.
Habitualmente em poucos dias no trabalho de escritório. Actividades ao ar livre, com poeiras ou água exigem mais tempo.
Óculos de sol com protecção ultravioleta durante pelo menos um ano. É a medida que o paciente controla e a que mais reduz a recidiva.
A recidiva, quando ocorre, aparece nos primeiros doze meses. As revisões concentram-se nesse período.
Perguntas frequentes sobre cirurgia de pterígio e pinguécula
Mais do que a maioria das pessoas espera, e é a expectativa que mais importa calibrar antes de operar. A área intervencionada fica vermelha durante várias semanas e, em alguns pacientes, alguns meses até assumir o aspecto final. Isso é cicatrização normal e não significa que algo esteja mal. Quem opera por motivo estético deve saber disto à partida — não depois.
Pode, e é o principal desafio desta cirurgia. Com remoção simples a recidiva é elevada; com auto-enxerto conjuntival desce de forma muito significativa, e é por isso que é a técnica usada. Se voltar, é quase sempre nos primeiros doze meses. Há um factor que depende inteiramente do paciente e que pesa bastante: a protecção solar rigorosa no ano seguinte à cirurgia.
Se o pterígio estava a induzir astigmatismo ou a invadir o eixo visual, sim — removê-lo regulariza a córnea e a visão melhora, embora a estabilização leve algumas semanas. Se a visão estava boa e se operou por desconforto ou por estética, a cirurgia não a vai melhorar. É uma distinção que deve ficar clara antes.
Não. Opera-se um olho de cada vez, com intervalo de algumas semanas. A razão é prática: o pós-operatório é desconfortável e ter os dois olhos em recuperação simultânea seria muito limitativo no dia-a-dia. Além disso, permite avaliar a cicatrização do primeiro antes de intervir no segundo.
Raramente, e é importante dizê-lo: a maioria das pinguéculas não precisa de qualquer intervenção. Opera-se quando inflama de forma repetida apesar do tratamento, quando provoca desconforto persistente, ou quando o aspecto incomoda muito. A técnica é semelhante à do pterígio, mais simples, e a recidiva é menos frequente — mas o princípio mantém-se: não se opera o que não está a dar problema.
Referências e leitura complementar
A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.
Consulta de avaliação
É na avaliação que se determina se é candidato, que técnica se aplica ao seu caso e qual o custo exacto. Sem compromisso.
ou
Pedir por WhatsApp Abre a conversa com o pedido já escritoSeja qual for a via, o pedido fica registado e o consultório responde em um dia útil.