Linhas rectas onduladas
O sinal mais característico e o mais precoce. O caixilho de uma porta, os azulejos, uma linha de texto parecem encurvados. Chama-se metamorfopsia.
A degenerescência macular da idade afecta a mácula — o centro da retina, responsável pelo detalhe. Deixa de se reconhecer um rosto ou de se ler uma linha, enquanto a visão periférica se mantém.
É a principal causa de perda de visão central acima dos cinquenta anos no mundo ocidental. Tem duas formas com comportamentos muito diferentes, e a distinção é decisiva: uma evolui ao longo de anos, a outra pode destruir a visão central em semanas. Nesta segunda, o tempo entre o primeiro sintoma e a primeira injecção é a variável que mais determina o resultado final.
Duas doenças com o mesmo nome
A mácula ocupa uma área minúscula no centro da retina e é responsável por toda a visão de detalhe — ler, reconhecer rostos, conduzir, enfiar uma linha. Com a idade acumulam-se resíduos metabólicos sob a retina, as drusas, e a partir daí a doença segue um de dois caminhos.
A forma seca pode converter-se em húmida a qualquer momento. É por isso que quem tem DMI seca deve conhecer os sinais de alarme e vigiar-se em casa.
Os sinais que não se devem adiar
O sinal mais característico e o mais precoce. O caixilho de uma porta, os azulejos, uma linha de texto parecem encurvados. Chama-se metamorfopsia.
Uma zona cinzenta ou vazia no meio do campo de visão, que acompanha o olhar e não sai do centro.
Faltam letras no meio das palavras. Aumenta a necessidade de luz para a mesma tarefa.
Distingue-se a silhueta e a roupa, mas não as feições. É o padrão típico da perda macular.
Perda de saturação e de contraste, muitas vezes notada só ao comparar um olho com o outro.
Quando os sintomas aparecem em dias ou semanas, deve suspeitar-se de forma húmida e ser observado com urgência.
Como se confirma e se vigia
O diagnóstico faz-se em consulta, com dilatação da pupila, e apoia-se em exames que hoje são determinantes:
Sobre a grelha de Amsler há um ponto prático que se perde com frequência: tem de ser usada tapando um olho de cada vez. Com os dois olhos abertos, o olho saudável compensa o doente e a distorção passa completamente despercebida — que é exactamente a razão pela qual tantos pacientes só notam o problema quando o segundo olho adoece.
O que existe para cada forma
O tratamento da forma húmida, e uma das maiores transformações da oftalmologia moderna. Bloqueiam o factor que faz crescer os vasos anómalos. Iniciadas cedo, estabilizam a visão na grande maioria dos casos e recuperam-na numa parte deles. Exigem esquema repetido e vigilância com OCT.
Uma formulação específica de antioxidantes e zinco, estudada em ensaio clínico de grande dimensão. Reduz o risco de progressão para as formas avançadas em pacientes com DMI intermédia. Não previne o aparecimento da doença em quem não a tem.
O tabaco é o factor de risco modificável mais importante, e multiplica várias vezes o risco de DMI avançada. Deixar de fumar altera o prognóstico de forma real.
Tensão arterial e colesterol controlados, dieta rica em vegetais de folha verde e peixe, e óculos com protecção ultravioleta.
Semanalmente, um olho de cada vez. Qualquer distorção nova é motivo para consulta sem esperar pela próxima revisão marcada.
Nas formas avançadas, os auxiliares ópticos e de ampliação permitem manter autonomia. A visão periférica preserva-se: a DMI não conduz à cegueira total.
Perguntas frequentes sobre dmi
Não. É a preocupação mais frequente e merece uma resposta clara: a DMI afecta a mácula, ou seja, a visão central, e poupa a visão periférica. Mesmo nas formas mais avançadas mantém-se a orientação no espaço e a autonomia para andar. O que se perde é a leitura, o reconhecimento de rostos e a condução — limitações reais e pesadas, mas que não são cegueira total.
Não há número fixo. Começa-se habitualmente com uma série de administrações mensais e depois ajusta-se o intervalo em função da resposta observada no OCT — em alguns pacientes as injecções espaçam-se bastante, noutros o intervalo mantém-se curto. É um tratamento de manutenção, não um ciclo com fim marcado à partida, e interrompê-lo por conta própria é a causa mais comum de recaída.
Nem todos passam, mas o risco existe e é por isso que a vigilância importa. A conversão pode acontecer a qualquer momento e sem aviso. Duas coisas reduzem o risco de forma comprovada: não fumar e, nos casos de DMI intermédia, a suplementação AREDS2. E uma terceira detecta-a a tempo: a grelha de Amsler usada em casa, semanalmente, um olho de cada vez.
Existe uma componente genética significativa. Ter um familiar directo com DMI aumenta o risco, e justifica começar a vigilância mais cedo. Não é, porém, uma fatalidade: os factores modificáveis — sobretudo o tabaco — pesam bastante, e sobre esses é possível actuar.
Melhora a parte que a catarata está a tirar, mas não recupera a que a mácula já perdeu. É uma conversa que tem de ser feita com franqueza antes da cirurgia: a expectativa deve ser calibrada pelo estado da mácula. Um ponto adicional e importante — nos olhos com DMI, as lentes multifocais estão habitualmente desaconselhadas, porque dividem a luz e exigem uma mácula saudável para render.
Referências e leitura complementar
A informação desta página tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada olho é um caso: o diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial pelo Dr. André Magalhães Oliveira.
Consulta de avaliação
Marque uma consulta de avaliação com o Dr. André Magalhães Oliveira e descubra qual o tratamento indicado para o seu caso.
ou
Pedir por WhatsApp Abre a conversa com o pedido já escritoSeja qual for a via, o pedido fica registado e o consultório responde em um dia útil.