A cirurgia de catarata dura cerca de quinze minutos. A pergunta que os pacientes fazem a seguir é sempre a mesma, e é a pergunta certa: e depois?

O que se segue é o percurso típico. Percurso típico não é garantia individual — a recuperação varia com a densidade da catarata, com a saúde do olho e com a idade — mas serve para saber o que é normal e o que não é.

O próprio dia

Sai da unidade poucas horas depois da cirurgia, acompanhado, com o olho protegido. A visão estará enevoada e a pupila ainda dilatada — não conduza.

É normal sentir:

  • Sensação de areia ou corpo estranho no olho
  • Lacrimejo e alguma sensibilidade à luz
  • Visão turva, como através de um vidro embaciado
  • Ligeira vermelhidão

Nesse primeiro dia, o essencial é simples: não esfregar o olho, dormir com a protecção ocular e iniciar as gotas conforme prescrito.

Dia 1 — a primeira revisão

A consulta de revisão do dia seguinte é a mais importante de todo o pós-operatório. Confirma-se o posicionamento da lente, a pressão intraocular e a ausência de sinais de inflamação anómala.

A maioria dos pacientes chega a esta consulta já a ver melhor do que antes da cirurgia. Alguns descrevem a mudança nas cores antes de descreverem a mudança na nitidez: o branco volta a ser branco, depois de anos a puxar para o amarelo.

Dias 2 a 7

A visão continua a melhorar e a flutuar ao longo do dia. Isso é esperado.

Pode: ler, ver televisão, caminhar, usar o telemóvel, tomar banho com cuidado para não molhar directamente o olho.

Evite: esfregar o olho, esforços físicos intensos, levantar pesos, piscinas e mar, jardinagem e ambientes com pó ou fumo.

As gotas seguem um esquema decrescente ao longo de algumas semanas. Cumprir esse esquema até ao fim importa mesmo depois de a visão já estar boa — a inflamação subclínica não se sente.

Semanas 2 a 4

Retoma progressiva da actividade normal. A condução é autorizada quando a acuidade visual o permitir, o que é avaliado em consulta e não por calendário fixo.

Se for operar o segundo olho, é habitualmente nesta janela que a cirurgia acontece. Operar com uma a duas semanas de intervalo permite confirmar o resultado refractivo do primeiro olho e ajustar, se necessário, o cálculo do segundo.

Semanas 4 a 6

A refracção estabiliza. É o momento de prescrever óculos, se forem necessários — o que depende inteiramente do tipo de lente implantada.

Com lente monofocal, precisará de óculos de leitura. Com lentes multifocais ou EDOF, a maioria dos pacientes dispensa óculos na generalidade das tarefas.

Se implantou uma lente multifocal, é também nesta fase que a neuroadaptação avança: o cérebro aprende a interpretar o novo padrão de imagem e os halos nocturnos tornam-se progressivamente menos notórios.

Sinais que justificam contacto imediato

A grande maioria das recuperações decorre sem incidentes. Ainda assim, contacte o cirurgião sem esperar pela próxima consulta se surgir:

  • Dor intensa que não cede com analgésico comum
  • Perda súbita de visão ou escurecimento do campo visual
  • Vermelhidão crescente acompanhada de secreção
  • Flashes de luz ou uma chuva de moscas volantes de aparecimento súbito
  • Náuseas e vómitos associados a dor ocular

Nenhum destes sinais é comum. Todos são motivo para ser observado no próprio dia.

E a catarata secundária?

Meses ou anos após a cirurgia, alguns pacientes notam um embaciamento progressivo da visão semelhante ao da catarata original. Não é a catarata a voltar — o cristalino removido não se regenera.

É a opacificação da cápsula que aloja a lente. Resolve-se em consulta, com laser YAG, num procedimento indolor de poucos minutos, sem incisões e sem período de recuperação.

Recuperar bem começa antes de operar

A recuperação previsível é, em grande medida, consequência de uma avaliação bem feita e de expectativas correctamente alinhadas. Saber o que vai sentir na primeira semana evita a ansiedade de interpretar cada sensação normal como uma complicação.

Se está a ponderar a cirurgia, comece pela página da cirurgia de catarata e depois marque uma avaliação.

Tem dúvidas sobre o seu caso?

Este artigo é informativo e não substitui uma avaliação clínica. Marque uma consulta com o Dr. André Magalhães Oliveira e discuta o seu caso concreto, com exames e com tempo.

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A informação deste artigo tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. O diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial.