Há três perguntas que um doente com presbiopia faz por esta ordem: isto tem operação?, quanto custa? e quanto tempo dura?.

A primeira tem resposta fácil — sim, tem. As outras duas só fazem sentido depois de uma pergunta que quase nunca é feita e que é a única que decide alguma coisa: sou candidato?

Este artigo é sobre essa. Para perceber o que é a presbiopia e porque começa aos 40, há um artigo próprio; para comparar as duas estratégias cirúrgicas, outro.

O que se opera, exactamente

A presbiopia não é uma doença: é a perda progressiva de elasticidade do cristalino, que deixa de mudar de forma para focar ao perto. Acontece a toda a gente e começa por volta dos 40.

Operá-la significa, na prática, substituir o cristalino por uma lente intraocular que faça o trabalho que ele já não faz. É tecnicamente a mesma cirurgia da catarata, realizada antes de haver catarata — daí o nome que se lhe dá: troca de cristalino refractiva.

Isso tem uma implicação que convém dizer cedo: é uma cirurgia intraocular, e não um tratamento de superfície. O olho entra na sala de operações. Essa é a diferença entre esta decisão e a de comprar uns óculos de leitura.

Os critérios que decidem a indicação

Nenhum dos que se seguem é negociável, e nenhum se avalia sem exames.

A saúde da retina e do nervo óptico. Uma lente multifocal divide a luz que chega à retina entre vários focos. Num olho com a retina saudável, o cérebro aprende a usar o foco de que precisa. Num olho com degenerescência macular inicial, glaucoma avançado ou retinopatia diabética significativa, essa divisão custa contraste que já não sobra.

A córnea. Astigmatismo elevado, irregularidade corneana ou um queratocone subclínico alteram o cálculo da lente e o resultado. A topografia não é um exame opcional nesta avaliação.

O olho seco. Uma superfície ocular instável dá medições instáveis — e uma lente calculada sobre uma medição instável é uma lente errada. Trata-se primeiro; mede-se depois.

O tamanho da pupila e o uso nocturno. Pupilas grandes e muita condução nocturna aumentam a probabilidade de halos. Não é uma contraindicação absoluta, mas muda a lente que se escolhe — e muda a conversa que é preciso ter antes.

E a expectativa. É o critério menos técnico e o que mais resultados estraga.

O período de adaptação, que ninguém deve esconder

Uma lente multifocal não devolve a visão de um olho de vinte anos. Devolve independência de óculos na maioria das tarefas, e exige semanas a meses para que o cérebro aprenda a ignorar o foco que não está a usar.

Durante esse tempo é normal ver halos em torno das luzes à noite, e é normal que a leitura de letra muito pequena com pouca luz continue a pedir ajuda. Quem souber disto antes atravessa a adaptação com paciência. Quem não souber conclui, com toda a razão do mundo, que correu mal.

Quando a resposta é não

Há casos em que a melhor recomendação é não operar. Acontece quando existe patologia retiniana que limita o potencial visual, quando a superfície ocular não estabiliza, quando os exames não são consistentes entre si — e quando a expectativa que o doente traz não é a que esta cirurgia consegue cumprir.

É um dos compromissos que estruturam esta prática, e está escrito na página do médico: dizer não quando é não. Nem todos os doentes beneficiam de cirurgia, e nem todos beneficiam da lente mais cara. Recomendar o que não traz benefício real é uma forma de má prática.

O passo seguinte

A avaliação de candidatura a cirurgia da presbiopia inclui refracção detalhada, biomicroscopia, topografia corneana, biometria, avaliação da superfície ocular e observação do fundo ocular sob dilatação. É uma consulta longa, e é dela que sai uma resposta — não uma proposta.

Se a resposta for sim, discutem-se as opções. Se for não, diz-se porquê.

Tem dúvidas sobre o seu caso?

Este artigo é informativo e não substitui uma avaliação clínica. Marque uma consulta com o Dr. André Magalhães Oliveira e discuta o seu caso concreto, com exames e com tempo.

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A informação deste artigo tem carácter educativo e não substitui uma consulta médica. O diagnóstico e a indicação terapêutica só podem ser estabelecidos após avaliação clínica presencial.